O triunfo dos porcos


Ana Vidal,

 

– Sr. porco, por favor, importa-se de chegar-se para lá?

– Nem penses nisso, bófia. Estou aqui muito bem.

– Mas é que… está a atrapalhar o trânsito, assim os carros não podem passar. Estamos numa auto-estrada, sabe?

– Quero lá saber. Daqui não saio. E nem te passe pela cabeça usar essa bota, que faço um xinfrim mediático e ainda arriscas quatro meses de salário. O facebook está comigo, ouviste? Quem te avisa, teu amigo é…

– Pronto, nesse caso… vou-me embora, então, desculpe tê-lo perturbado. Boa tarde.

– Vai pela sombra, ó bófia.

 

 – (entredentes) Não perdes pela demora. Havemos de nos encontrar um dia destes na tasca da tia Alice, que à quinta-feira o cozido à portuguesa é um mimo.

30 comentários em “O triunfo dos porcos”

  1. Mais do mesmo. E volta o vendaval das indignaçõezinhas cibernéticas, que nunca foram tão estridentes nem tão efémeras. O título está perfeito e resume tudo, Ana.

          1. Tens razão, transformou-se numa expressão idiomática. Provavelmente porque é muito forte, mais forte do que o título original.

  2. É o mundo ao contrário. A histeria na suposta defesa dos animais pode ter como consequência, no limite, um guarda ficar sem salário durante quatro meses. Na notícia lincada lê-se que o comando condenou “de forma veemente” a actuação do guarda, foi atrás da corrente histérica quando, por ser o comando, deveria ter uma atitude de defesa do seu subordinado. O non-sense dos Monty Phyton ao pé disto não é nada.

      1. Eu concordo consigo muitas vezes, Ana. Só que, em geral não irei escrever um comentário só para dizer que concordo.
        E mesmo as nossas discordâncias, não são tão dramáticas como a Ana as põe.

        1. Eu sei, eu sei, você é do contra por natureza e não perde tempo com concordâncias. Mas as nossas discordâncias nem sempre foram de natureza irrelevante, já discordámos por razões tão sérias como, por exemplo, o respeito por pessoas (que você não demonstrou ter) .

  3. A sua última frase, bem entendida, é no sentido de preservar o elo ao culto da Grande Porca, da Vila de Murça.
    E, é a porca que se oferece, que o pessoal já percebeu que a mensagem do regime é o regime, vegetariano a tender para o vegetativo.

    1. E é aí que a porca torce o rabo… há sempre uma vingança possível para o pobre GNR humilhado: um bom cozido à portuguesa. Pode até ser acompanhado por um Porca de Murça Reserva, à saúde do Orwell. 🙂

  4. Tá mal, Aninha. Tá muito mal. O agente, podendo usar a arma e acabar com o bicho para fazer presunto, dar pontapés sem um resultado desejável só pode ser alvo da minha crítica.

  5. A Direcção da GNR seguir a opinião e atacar o guarda não sei porquê faz-me lembrar a destruição de propriedade de agricultura transgénica sobre escolta da GNR…

  6. Epá óh Ana… francamente, sinto-me ofendido, então querem cá ver porque eu vou morrer, tenho de ser enxovalhado em vida? a Ana não vai morrer também? bem sei que em circunstâncias diferentes e sem ir parar ao prato da Tia Alice, mas bolas…
    Estou tão transtornado…
    Acha bonito levar um pontapé com total desprezo no presunto esquerdo? acha, acha? ainda tenho o rabo roxo, tenho andado a pôr uma pomadinha e gelo, valha-me Deus.
    Este seu texto é degradante e ofensivo para a classe, se fosse um porco espanhol, se calhar era só queridinho para cá, queridinho para lá…
    Bom mas não adianta estar para aqui a gastar grunhidos, vocês humanos, querem é acabar connosco, pois fique sabendo que vingaremos, nem que seja em espírito.
    E agora vou retirar-me fiquei de passar pela tasca da tia Alice.
    Boa tarde!
    José António Silva (porco indignado da A2)

    1. Já vingaram, e nem foi em espírito. Quem saíu humilhado foi o humano da história. Um conselho: sobretudo depois desta história, o melhor é passar longe da tasca… 🙂

  7. Pois, o porco é que vai condenar o polícia! E andou na auto-estrada porque lhe apetecia passear!

    Sabem que mais? Fiquem-se pelas discussöes sobre o Aborto (ortográfico)!!!

  8. Ó Aninhas escrevi sobre o mesmo tema e com foto idêntica. E idênticos comentários…
    A Cinha é que tem razão e tem uma porca de estimação!

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