Era culto sem espalhafato, ladino e mordaz, e, a par disso, um ser leal e atento e um homem sem vergonha da doçura. Daí termos ficado cúmplices sem saber de quê. A sua ironia às vezes incomodava-me mas o seu humor repunha a qualidade das tantas conversas que tivemos, olhos nos olhos, dos Açores a Gaia, que era como gostava de olhar para o mundo e as pessoas. Ofereceu-me das melhores gargalhadas que já dei quando, uma vez, a meio da doença, o acompanhei a mudar um penso, e, à pergunta da recepcionista da clínica sobre o nome, respondeu prontamente e com o ar mais sério do mundo: “Júlio Machado Vaz.” Não me aguentei. “É que às vezes nos confundem.” E ele a seguir, que também gostava de rir, gargalhou também. Gostava de falar, mas ouvia como vivia: com a alma toda. Firme nos seus motivos, sabia ainda perder – “Touché”. Ele era assim, o João, um amigo cheio, de quem me recuso a despedir. Até porque tínhamos combinado, há poucas semanas, um café para um dia destes…
Em jeito de abraço
modosdever,

Os meus mais sentidos pêsames. Não somos muito na vida, mas custa separarmo-nos dum amigo assim, sem mais nem menos, quando a morte se lembra sempre que é ela a mandar e não nós. Abomino essa senhora mas um dia terei de a ver e cara a cara dir-lho-ei, mesmo que o resultado seja nulo para o meu lado. O meu abraço. Com sentida mágoa pela sua perda e pela de todos que aqui contavam com a colaboração e amizade do homem bom tenho a certeza, que hoje se perdeu. Desculpe se me excedi. Obrigado.
Não excedeu. Obrigado por ele, por todos.
Tal e qual como escreves nesta comovente evocação. Um abraço, Fernando.
Pena que, procurando textos seus neste blog, encontre este.
Bonito o texto, pese embora não saber de quem se trate, além de ser um amigo seu. Ficamos sempre mais pobres.
Rosa Maria
Pena minha, desde logo, por ter tido de o escrever, RM. O João Carvalho era um dos colaboradores aqui do DO e um amigo para quem os meus abraços nunca foram suficientemente fortes. Enfim, sobraram-se os dedos… Obrigado, RM.