Comentários da semana


Pedro Correia,

«Com cinco gravidezes e cinco partos naturais, nunca me senti diminuída nem antes, nem durante, nem depois. Amamentei todos os meus filhos ao peito, a última dos cinco até bem tarde (nem vou dizer até quando porque provavelmente iriam cair carmos e trindades) e nem por isso deixei de trabalhar e muito. As considerações sobre as incumbências da mãe esquecem quase sempre as incumbências do pai. Assim como as considerações sobre os períodos de gravidez e pós-parto esquecem a protecção que todos, como sociedade, deveríamos dar à família. Não é um luxo, é apenas bom senso: o futuro reside nessa possibilidade de criar um filho com condições para o fazer. Mas em países como o nosso, em que a educação é o que é, as mulheres alombam com as fatias grossas: a maternidade é para muitas mais um peso e não pequeno na vida. Que é como quem diz, a grande diferença entre os homens e as mulheres é que elas é que vão ter os filhos. Se assim não fosse outro galo, em muitos muitos poleiros, cantaria…» 

Da nossa leitora Marta. A propósito deste texto da Ana Margarida Craveiro.

 

«Nunca entendi a necessidade de um acordo ortográfico internacional quando ainda nem sequer se fez um acordo nacional que corrija as assimetrias que existem de Norte a Sul como por exemplo, aquela coisa da troca dos bês pelos vês. Faz mais sentido a fêmea do boi ser a baca do que o cidadão do Egito ser o egípcio, pois se a regra é mandar tirar o que não se pronuncia (que neste caso até se pronuncia) não se entende porque é que não se manda escrever o que se pronuncia e não se acaba com a ditadura dos vês imposta há séculos ao povo do Norte em directa contradição com o que falam.
Perante as decisões e indecisões dos outros e a enorme resistência que existe cá ao Acordês, dever-se-ia inverter o status quo rapidamente pois é mais que evidente que nos enfiaram um grande barrete.»

Da nossa leitora Teresa Castelo. A propósito deste meu post.

10 comentários em “Comentários da semana”

  1. Corrigir as assimetrias regionais da língua??? AHAHAH Não lhes dêem ideias, porque eles aproveitam todas as ideias mais… como dizer… estravagantes.

  2. Boa noite, Pedro. Aproveito para deixar aqui os meus agradecimentos pelo seu comentário em resposta ao meu e mais uma vez me maravilhar com a qualidade deste esplêndido blogue. A diversidade de assuntos sempre actuais e interessantes, como importantíssimos. Também a faculdade de se poder expressar as nossas ideias ao comentar interagir e haver esta sã “discussão” de todos, e entre todos, de qualquer assunto, com a devida resposta dada simpática , tolerante e também pertinente. Muitos anos de vida aos autores e ao blog, em si. Obrigado pela leitura que nos (me), proporcionam ! Boa semana a todos

  3. Faz mais sentido a fêmea do boi ser a baca do que o cidadão do Egito ser o egípcio

    Não. O que se passa é que no Norte a letra v lê-se b, e como tal deve ser (e é) lá ensinado. O que acontece é que há duas letras que, na pronúncia do Norte, se lêem da mesma forma – o que não justifica que uma delas seja eliminada. Da mesma forma que em castelhano ou em catalão essas duas letras se lêem da mesma forma – mas permanecem letras diferentes. Da mesma forma que em alemão f e v se lêem da mesma forma, ou ch e g (em certas palavras), mas permanecem distintos.

    1. Ninguém pediu a eliminação do “v” que também existe no Norte (excepto no Mirandês) e está bem de saúde, obrigada. Fiz uma comparação tomando o betacismo como exemplo pelo que o seu comentário não tem nada a ver.

      1. Ninguém pediu a eliminação do “v”

        Foi Você quem escreveu que Faz […] sentido a fêmea do boi ser a baca… Implicitamente, isso está a dizer que faria sentido eliminar o “v”…

  4. nem por isso deixei de trabalhar e muito

    Não entendo o que pretende a Marta defender: que as mulheres deixem de ter direito a férias de parto?
    O facto de a Marta ter, eventualmente, conseguido trabalhar muito durante o período da amamentação (pergunto-me a mim mesmo se levava a bebé para o escritório ou fábrica onde trabalhava…) não força as outras mulheres a conseguirem também fazê-lo.

  5. “o futuro reside nessa possibilidade de criar um filho com condições para o fazer.”

    Isso não tem nada que ver com as mulheres ficarem ou não diminuídas na gravidez. Ficam. Umas mais que outras. E não tem problema nenhum, é natural. Seria estranho é que não afectasse.

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