Passado presente (especial)


Ana Vidal,

 

Refrigera os sãos e cura os doentes. Nada menos. Era o tempo em que ainda podia anunciar-se um produto com estas extraordinárias promessas de paraíso, sem risco de processo em tribunal por publicidade enganosa. Ainda não havia a Deco, as comissões vigilantes, a concorrência feroz que hoje não deixa nenhuma marca pôr pé em ramo verde. Era o tempo em que os números de telefone tinham só três algarismos. A melhor, a mais pura e a mais barata das águas de mesa. A única? A verdade é que dura até hoje e continua de boa saúde. Se não a curar os doentes, pelo menos a refrigerar os sãos.

16 comentários em “Passado presente (especial)”

  1. Credo,que antigo sou : durante muito tempo o número de telefone lá por Santarém foi o 754… e os de casa dos Avós só tinham 2 algarismos…

    1. Bom, Fanas, isso é altamente comprometedor. Eu não sou de intrigas, mas o número de telefone mais curto de que me lembro – e numa terra bem pequena – tinha 4 algarismos…

      1. O telefone lá de casa,Santarém, era o 754. O da Ribeira, dos Avós paternos, o 57. O de Torres Vedras, Avós maternos, o 73. Sim e ainda se levantava o auscultador e se esperava a voz da menina : ” núúúumerooo …? ” …

        ( em casa de um Tio, numa pequena povoação perto de Torres Vedras, o telefone tinha uma pequena manivela, que se rodava precisamente para alertar a central para um pedido de chamada…)

        e enquanto esperávamos, passavam dinossauros mansamente pela rua…

          1. Do que vocês me fizeram agora lembrar… O primeiro número de telefone de minha casa, acabara eu de fazer quatro anos, tinha apenas três algarismos. Era numa terra pequena, bem sei (hoje bastante maior), mas sede de concelho. Mas mesmo assim soa a algo muito antigo. Dois anos depois, quando mudámos para outra terra, já capital de distrito, o telefone já tinha quatro dígitos (como se diz hoje e na altura ninguém dizia). Soava a coisa fina. Em Lisboa, nessa altura, já havia telefones com seis números.

  2. Também gosto daquela parte que diz “misturada com cognac, leite, wisky, vinho, etc.”

    Leite de que teor alcoólico?

    1. Espantoso, não é? Nem consigo imaginar o sabor de água gasosa misturada com leite. Suponho que seria essa a mistura recomendada para a cura dos doentes…

  3. Ana: a publicidade antiga a produtos (ainda) contemporâneos é um filão inesgotável. Só por si, dá uma série autónoma.
    Eu sou fã incondicional deste assunto. Pelos mais diversos motivos. Até pela evolução da língua portuguesa que os anúncios vão denotando através dos tempos. A expressão “refrigera os sãos”, por exemplo, é deliciosa.

    1. Concordo, Pedro. Podemos encontrar coisas tão espantosas como tabaco recomendado por médicos, por exemplo. E a questão da evolução língua (além da linguagem, que também vai mudando com o tempo) é muito interessante.

  4. Uma das nascentes desta água é mesmo ao lado da minha biblioteca, no Castelo de Moura (que lhe deu o nome) e corre livremente na fonte das três bicas, que fica na fachada da biblioteca. Esta é também a água que corre nas termas actualmente muito antiquadas, mas cujo processo de reabilitação já está em andamento. Para já, estão a ser feitas todas as análises necessárias para a adequada certificação da qualidade termal das águas. Só depois se avançará com o projecto de remodelação do estabelecimento termal, que sempre foi um desejo da população aqui em Moura.

    Obrigada pelo post, foi uma surpresa engraçada encontrá-lo aqui.

    Já agora, e a título de curiosidade, devo dizer que há uns anos não era muito fácil encontrar água de castello aqui nos restaurantes, cafés e pastelarias. Os grupos empresariais têm pacotes de produtos e a água com gás ou gaseificada (como é o caso desta) incluída nesses pacotes não é a água de castello… Felizmente hoje já há algum orgulho da parte dos mourenses que fazem questão de comercializar a água da região.

  5. Agora apareceu por aí a Água Castello Finna (com dois eles e dois enes). Há uma semana ou duas, no Minipreço que fica ao pé de ondo moro (em Lisboa) estava no regime P2L3.

    Outros tempos…

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