Os comentários da semana


Pedro Correia,

Esta semana (a título excepcional) são dois. Aqui ficam:

 

«Se dúvidas ainda houvesse que o Marcelo Rebelo de Sousa vai candidatar-se à Presidência da República em 2016…
O vídeo é uma sucessão de tiros no pé que só piora a imagem de Portugal no exterior. Por exemplo, dizem à boca cheia que Portugal gastou 675 milhões de euros a construir estádios para o Euro 2004, estádios que hoje em dia são um fardo pesado para o erário público, subaproveitados e desnecessários. Terem sido construídos por consórcios alemães só indica que não existem construtoras capazes em Portugal, facto não muito espantoso porque a obra era para ser concluída a tempo do Euro, algo impossível com a regra portuguesa de 20% de derrapagem orçamental + 15% de derrapagem temporal. A Alemanha organizou o Mundial de 2006 e não construiu um único estádio, fazendo apenas pequenas melhorias nas estruturas que já tinha.
Se o efeito pretendido era salientar que trabalhamos mais, produzimos menos e esbanjamos o que temos (e o que não temos), missão cumprida.»

 

Do nosso leitor Aniceto Rui. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

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«Num ataque de imaginação delirante imaginei-me num gabinete em Londres-Tóquio-Nova Iorque olhando para o meu portfolio de bonds e respectivos CDS e pensando que, o que dava jeito neste momento, era fazer subir as taxas de juro portuguesas e sustentar a previsão de default etc e tal. De preferência, de borla ou quase. Uma greve geral com uma manifestação em frente do parlamento vem mesmo ao pintar da faneca. Por dez réis de mel coado paga-se meia dúzia de figurantes, desencadeiam-se uns riots muito televisivos que correm mundo à hora do jantar, conforme os fusos horários, e está o assunto resolvido.
É só imaginação minha, com certeza. Mas ainda bem que escrevo em português…»

 

Da nossa leitora Isabel PS. A propósito deste texto do José Navarro de Andrade.

Um comentário em “Os comentários da semana”

  1. “…construir estádios para o Euro 2004, estádios que hoje em dia são um fardo pesado para o erário público, subaproveitados e desnecessários. (…)

    A Alemanha organizou o Mundial de 2006 e não construiu um único estádio, fazendo apenas pequenas melhorias nas estruturas que já tinha.”

    Estou de acordo que o vídeo é ridículo. Mas em relação aos estádios, não concordo, em termos gerais. Vejamos:

    O euro 2004 teve 10 estádios, o Mundial 2006 teve 12. Portugal teve 7 estádios novos e 3 reconstruídos. O caso alemão falo mais adiante.

    Portugal não tinha instalações desportivas (de futebol) renovadas há décadas. Era necessário uma urgente actualização dos mesmos. Eu ainda sou do tempo que o Sporting tinha como campo de treino um pelado! (meados dos anos 1990, sim…). Ora tirando os 3 grandes, que conseguem rentabilizar os espaços novos, ou pelo menos têm a capacidade humana, o único clube que conseguiu crescer com um novo estádio foi o Braga, que sendo um histórico, não conseguia ultrapassar a mediania dos resultados desportivos. Vão 4.

    Seguem-se o Afonso Henriques e o Bessa: O Vitória não conseguiu crescer como o Braga, teve até recuo nos desempenhos desportivos do final da década de 1980 e de 1990. O mesmo se passa com o Boavista, vítima de gestão danosa: o Boavistão da década de 1990 conseguiria rentabilizar o renovado estádio. Os dois estádios renovados não conseguiram fazer crescer os clubes (até agora, pelo menos).

    Portanto, há uma diferença entre o custo do estádio e a rentabilidade desportiva. Esta última consegue rentabilizar o estádio a médio\longo prazo.

    O Algarve, com tanto potencial turístico, precisava de uma infraestrutura de topo. Depois do desaparecimento do grande Farense dos anos 1990, não surgiu um clube ao mesmo nível. Faz falta ao Algarve um clube que represente a região em força, coisa que o Portimonense (ainda) não consegue. Seria talvez necessário criar um clube novo, um junção de várias forças.

    Em Coimbra mora um clube histórico que perdeu muito do seu poder nas últimas décadas. Um estádio da sua categoria há 50 anos estaria sempre cheio.

    Resta-nos os dois únicos “elefantes brancos”. Leiria e Aveiro. Duas cidades com clubes menores e sem grande história desportiva, sem força associativa que pudesse potenciar os dois clubes. Falamos de dois clubes pequenos. Portanto, para o Beira-Mar, por exemplo, tem mais força encher um estádio com 8 mil pessoas do que ter 8 mil pessoas num estádio para 30 mil. Só nestes dois casos reside o disparate.

    2 em 10, não me parece mal, apesar de tudo. E só 3 em 7 não conseguem rentabilizá-lo (o Boavista e o V. Guimarães são históricos adormecidos; o Algarve espera um clube).

    O caso alemão não é bem como se disse. O Allianz Arena é um estádio novo! Os estádios do Schalke 04 (construído em 2001), Hamburgo (1998) podem ser considerados novos.

    O estádio do Dortmund é dos anos 1970 (recente) e foi muito renovado nos anos 1990 e depois na última década. O mesmo se pode dizer do estádio de Hannover.

    E, finalmente, esqueceram-se de apontar o Mundial de 1974, que renovou a maioria dos estádios antigos das décadas de 1920 e 1930: o Olympia, o Lommenzbank, o do Colónia, etc.

    Só os velhinhos estádios do Leipzig( um presentinho à RDA), e o do Kaiserslautern é que tiveram renovação mais a sério nesta década.

    Portanto, os estádios alemães eram na sua maioria bastante mais recentes do que os portugueses, e tiveram diversas modificações nos últimos 30 anos. E só o Allianz Arena custou 340 milhões, mais de metade dos 675 milhões que gastámos. Como se nós não pudéssemos renovar os espaços desportivos porque somos “pequeninos”. Portanto, lamento, mas parece-me haver alguma falácia na comparação.

    É que é muito mais grave o preço dos bilhetes, essa é a verdadeira razão para os estádios não serem rentabilizados. É que o futebol tornou-se um desporto muito caro. E sem bilhética constante, os cofres estão vazios.

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