Recordar o Halloween das nossas infâncias


Rui Rocha,

 

Ah, que saudade. Lembram-se… quando éramos meninos e íamos de casa em casa, disfarçados de monstros ou de zombies, e gritávamos doçura ou travessura? Lembram-se da ansiedade? Do silêncio que fazíamos à espera de um ruído que indiciasse a abertura iminente da porta. Dos olhos a brilhar de excitação? Dos corações que palpitavam, das mãos que se entendiam na ânsia de agarrar o tesouro que nos ofereciam? Pois. Eu também não.

33 comentários em “Recordar o Halloween das nossas infâncias”

  1. Eheh, hoje um colega perguntou-me qual era a frase correcta que se usa, para ensinar à filha, se era doçura ou travessura ou outra coisa qualquer, eu expliquei-lhe que tive uma infância tão infeliz que nem uma única vez festejei o Halloween, não o podia ajudar.

  2. eh eh eh, agora mesmo comentava isso com a minha companheira. Quando entrava em casa, andava um grupo de mães a acompanhar os filhos, batiam nas portas, vigiavam nas janelas e censuravam a quantidade e o género de doces que os gaiatos haviam recebido… Não há palavras para descrever o dia das bruxas, eh eh eh.

  3. Caro Rui, que raio é isso de Halloween ?
    Não basta ter sido influenciado na minha infância em tudo o que era literatura aos quadradinhos, hoje banda desenhada, pelos cowboys e sherifs , sempre os bons porque os maus da fita eram sempre os massacrados índios , como agora, que julgava ter limpo a minha memória dessas americanices estúpidas, estão novamente a impingirem-me merdas da cultura americana que não tem nada e ver comigo, porque de merda se trata a porra desse Halloween . Somos um Povo com séculos de existência, que está a deixar de o ser.

  4. Obrigada Rui,
    Confesso que me arrancou-me uma gargalhada.
    Não estava à espera do final, pensei que iria ser aquela coisa chata, do hallo qualquer coisa, que agora não me lembro.

  5. Pois eu lembro-me de tudo isso, tal e qual. Chamava-se Pão por Deus, como alguém já lembrou aqui. De vez em quando havia uma ou outra bruxa que nos abria a porta com má cara e não dava nada, mas esses momentos foram o mais próximo do Halloween que alguma vez estive.

          1. Deixa lá, os brioches do Ulrich têm pouco de divino. No caso de um banqueiro, suponho que deve ser mesmo troca por troca…

  6. Bolinhos, bolinhos, em louvor de todos os santinhos!, também aprendi assim. Cada um ia à sua terra, à sua família, prestava homenagem aos antepassados e trazia os primeiros frutos secos, biscoitos, hortaliças.

    Abóboras? Para sopa e doce estão boas, sim.

  7. O Halloween é uma espécie de Carnaval foleiro. Facto. Mas atenção, se começamos a resistir a tudo a que influência que vem de fora, teremos que deitar no lixo a árvore de Natal, resistir aos jantares de sushi e cafezinhos com macarrons. 😉

    Bom feriado 🙂

  8. A raiz do “Pão por Deus”, “Bolinhos e bolinhós”, etc..e a do Halloween é a mesma, ou seja, a festa celta do Samhain, a festa dos mortos, quando as fadas, almas e seres do outro mundo se misturam com os humanos. Logo, o Halloween “à americana” é um “upgrade” ou um reavivar de uma tradição que por cá, ia enfraquecendo. As máscaras vêm do velho costume de se confundir com as almas que andam à solta, para evitar danos. Quanto às abóboras, ou cabaças (conforme o que estava mais à mão) a minha avó já as usava em pequena para ir aos “bolinhos”. Na minha infância eram às vezes substituídas por caixotes…

    1. A Imperatriz Sissi tem razão: o Halloween , o Dia de Todos os Santos ou o Día de Muertos têm todos a mesma raiz: uma identificação do ciclo do ano com o ciclo da vida, correspondendo o Outono à morte…
      Cresci no Alto Alentejo e ali a tradição era ir em grupo na manhã de dia 1 de Novembro “pedir os Santinhos” com um saquinho de pano. Voltávamos com o saco cheio de doces, frutos secos ou frutos de Outono, bolinhos e moedas. Não houve um ano da minha infância em que não fosse pedir os santinhos. E a minha avó conta que quando era miúda a tradição era igual (mas recebiam mais frutos ou bolinhos e menos dinheiro e chocolates…)

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