Estive há dias nos Açores e pude assistir ao desenrolar da campanha. Para mim parecia evidente que Berta Cabral era uma excelente candidata e que o PS estava em situação difícil, desgastado por 16 anos de governação. Tudo apontava assim para uma clara vitória do PSD. Mas a certa altura foi perceptível que as coisas estavam a mudar rapidamente. E a principal causa dessa mudança residia nos sucessivos dislates de Passos Coelho à frente do Governo nacional. Primeiro anunciava a TSU, depois retirava a TSU. Primeiro anunciava o fim da cláusula de salvaguarda no IMI, depois mudava de ideias e já a cláusula de salvaguarda se mantinha. Não contente com isso, na véspera das eleições regionais, anunciou o maior aumento de impostos de que há memória em Portugal. Berta Cabral bem tentou demarcar-se de Passos Coelho, mas já não o conseguiu. É que não há candidato do PSD que possa resistir a tamanha incompetência na chefia do governo do país. Passos Coelho bem disse que se está a lixar para as eleições e já lixou efectivamente o PSD dos Açores. Resta ao PSD nacional, se tiver inteligência política, perceber que, com Passos Coelho à sua frente, será totalmente arrasado nas eleições que se seguirão, podendo ter o mesmo resultado eleitoral que agora teve no Corvo. É por isso evidente que o PSD não pode continuar com Passos Coelho à frente do partido. Que um líder partidário se queira suicidar politicamente, esse é um problema dele. Não me parece é que o partido o deva acompanhar nesse caminho.


E não acha que o PSD devia pelo menos esperar até ao fim da legislatura? pra mudar de líder?
Não,não aguentamos até lá.
Esta Hidra não tem piedade do povo.
Está a apelar à velha política cínica de sempre? À PS? Também estamos fartos dessa.
O Luís considera, portanto, que o PSD deve governar em função dos seus interesses partidários e não em função daquilo que considera positivo (a médio ou longo prazo) para o país?
Considera que o PSD se deve governar a si mesmo e não governar Portugal?
Governar Portugal é governar a favor dos portugueses e não contra eles, a favor da “troika”. Um partido que governe contra os portugueses está condenado a curto prazo.
Um partido que governe contra os portugueses está condenado a curto prazo.
Certo. Porém, o governo deve governar a favor de Portugal a médio e longo prazo. Não apenas, nem principalmente, a curto prazo. Mesmo que isso o possa fazer a curto prazo perder eleições. Não acha?
Um partido que governe assim nunca chega ao médio prazo, quanto mais ao longo. E no longo prazo estaremos todos mortos. Com uma política destas ainda morreremos mais cedo.
Berta Cabral foi castigada pelo seu oportunismo e a sua irresponsabilidade com propostas demagógicas como a da criação de quinze mil empregos se ganhasse as eleições. os açorianos não são parvos.
O mal até nem é esse, que se queira suicidar é lá com ele e com o partido que o suporta, o problema começa quando quer arrastar o povo para o suicídio colectivo.
Vou sentir saudades do sotaque de Berta Cabral. Dá-lhe um ar muito sexy.