A pólvora


Ana Vidal,


O António Sala está muito preocupado com a crise mundial. Cada vez vê o mundo em maiores dificuldades financeiras, diz ele, e a falta de poder de compra deixa-o angustiado. Mas não desesperem, amigos, ele tem a solução milagrosa para todos estes males. Poupar ao máximo? Trabalhar mais por menos dinheiro, à espera de melhores dias? Esquecer sonhos e projectos por uns anos? Assaltar bancos? Nada disso. A solução é simples: investir em barras de ouro. Nunca falha. Temos todos de agradecer-lhe esta ideia luminosa. Sem ele, como iríamos saber o que fazer aos rios de dinheiro que todos temos a mais?

15 comentários em “A pólvora”

  1. É realmente assustador, o que o dinheiro faz.
    Vi e ouvi essa publicidade uma vez e até me arrepiei, parece que ele fala com o coração.
    Caso para eu dizer: Deus meu, desce depressa porque o capeta tomou conta do mundo.

    1. E isso é o pior: António Sala “parece” que fala com o coração, e é uma figura querida do povo (pelo menos neste momento, com o programa de grandes audiências de que fazia parte ainda bem fresco), o que torna tudo mais obsceno ainda.

    1. Não aguento, Helena! Não aguento aquela cara de sacristia a falar de barras de ouro, como se estivesse a gozar connosco.

      Mas ainda bem que te salvei a noite… 🙂

  2. Já nada (relacionado com pudor) tem valor!
    Tudo o que mais importa passou a ser o montante da conta bancária e/ou a mais rápida (mas não necessariamente a mais correcta) forma de a aumentar.
    Concepção válida para Antónios, Manueis, Paulos ou Miguéis…

    Cumprimentos.

  3. O anúncio é nojento (pardon my french): de uma forma artificialmente subliminar, fazendo crer na preocupação dos dias e na credibilidade da coisa, o que ele faz não é vender lingotes de ouro, mas comprar, a bom preço, o pouco que resta das jóias pessoais de quem está realmente aflito. É aviltante, asqueroso e nojento…

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