Gozar com a malta


André Couto,

A ideia vinha tarde, não inovava, mas era boa: incentivo no IRS para quem apresentasse despesas de restauração, mecânica e serviços afins. Diminuir a economia paralela pondo a malta toda a pedir facturas para, no final do ano, pagar menos de IRS. No fundo era fazer de todos e de todas uma espécie de Inspectores das Finanças, com remuneração em sede de IRS. (Desliguei o rádio e fui trabalhar.)

Mais tarde ouvi o resto da história, o incentivo tinha um tecto de €250… (Ok! Não é muito mas é um incentivo, é melhor que nada.) Depois veio o gozo da coisa: o desconto era de 5% do IVA, de 23%, descontado na factura. Feitas as contas, para chegar aos €250 de dedução, tenho de apresentar €2.228 de despesas por mês, num total de mais de €26.000 por ano, em 2013, sendo que só fazem o reembolso no IRS de 2014. 

Não me agrada muito que o tipo do restaurante, o Sr. Alfredo, que não conheço de lado nenhum, sem pedir, se abarbate aos 23% de IVA que eu pago. Mas o que não me agrada, mesmo, é que os tipos que o Povo elegeu, na conjuntura que vivemos e com os cortes que impõem, gozem assim com as pessoas. É que, de repente, o Sr. Alfredo parece-me a Madre Teresa e, intruja por intruja, prefiro que o dinheiro fique com ele que sempre paga aos empregados e compra coisas para a “patroa” no comércio local.

13 comentários em “Gozar com a malta”

  1. Não passa um dia que este governo não insulte a inteligência dos portugueses. Se o ordenado médio neste país é de 800 euros quantas décadas precisariam para acumular 26 mil euros de despesas? Devem estar a brincar. A vontade que isto me dá de largar impropérios.

      1. Esses mesmos, André.
        Ando aqui a fazer contas para ver onde arranjo 26 mil euros de salários anuais para os poder gastar em cabeleireiro que, como se vê pela minha trunfa, é um local que frequento amiúde.

  2. Aí está a razão porque não incluem as depesas de Electricidade no pacote:
    “Aquilo que a EDP me paga, nãos e repercute nas facturas de electricidade”, confessa Exmo Ali Babá Mexia, profissão ex-ministro.
    Logo, sem IVA no processo.

  3. Uma vergonha!
    Uma palhaçada! Uma…(os adjectivos serão ordinários e assim me contenho).

    Como referiu RR num outro post, também à ausência de oposição se deve este estado de sítio.

    Bem postado.

    Fique bem.

    1. Sim, uma oposição atenta e consciente levaria a que o Governo tivesse pejo em agir assim. O problema é que aos que falam não se lhes atribui credibilidade, e os que poderiam ter credibilidade falam pouco.

  4. Nem mais André, também prefiro que o sr. Alfredo compre coisas para a ” patroa “, do que encher os ” bolsos ” destes abutres ladrões.

    1. cr, não tenho coragem a apelar que não se peça factura mas também fico na dúvida, o que é sintomático da degradação das linhas de condução política. Um abraço!

  5. Não percebo o anúncio do Sr. Núncio.
    Pelas minhas contas, 250€ em 26000€ dá menos de 1% de retorno.
    Como se fala então em 5% do IVA… quando se trata de menos de 1% ????
    Se fosse 5% em 25000€ falávamos de 1250€.

    Acho que este anúncio do sr. Núncio, mereceria bem a classificação de pura vigarice e falta de vergonha, por qualquer núncio apostólico…

    Se mobilizar a vigilância popular à fuga ao fisco, já é algo moralmente questionável, com estes “incentivos” revela apenas uma falta de vergonha do Sr. Núncio.

  6. É bom que as pessoas comecem a perceber que o dinheiro nas mãos do Estado é um incentivo à Economia Política.

  7. Eu não li a lei; mas espero que acabe com aquela treta da ‘consulta de mesa’, que essa sim, insulta a minha inteligência: peço um café e o empregado vem «consultar-me» se ‘ 1 café 0,60’ está certo? Logo se vê que vai tirar a factura lá muito pela madrugada!
    Quanto ao resto, é para o SNS, ou o André C. quer acabar com tão indispensável serviço a troco de mais uns pós para o seu bolso?
    A lei, assim feita tem a vantagem de nos chamar a atenção para o facto de que ” o que o Estado dá sai-nos do bolso” ou “acabou o maná, é tudo fruto cá da terrinha e de quem a habita”.

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