Isto é serviço público


Pedro Correia,

 

Nelson Mandela – Os caminhos da liberdade: excelente reportagem de uma equipa da RTP encabeçada pelo jornalista António Mateus. No dia em que Nelson Mandela – um dos maiores ícones universais do nosso tempo – festeja 94 anos vale a pena recordar a evolução da África do Sul desde os dias de chumbo do regime racista de P. W. Botha até à actualidade.

António Mateus – que conhece bem a África do Sul, onde foi correspondente durante largos anos – recolhe os testemunhos de dois obreiros desta admirável transformação do mais próspero país do continente africano, anteriormente banido da comunidade internacional, num exemplo de multirracialismo, democracia e liberdade: Desmond Tutu e Frederik de Klerk. Ambos galardoados com o Nobel da Paz – o primeiro em 1984, pelo seu corajoso combate aos esbirros do apartheid, o segundo dez anos depois (em parceria com Mandela) por ter liderado enquanto chefe do Estado o processo de transição, que atingiu um dos seus momentos culminantes na hora da libertação do histórico líder do Congresso Nacional Africano, em Fevereiro de 1990, acompanhada com emoção em todo o mundo.

De Klerk, num depoimento emocionado, diz uma frase carregada de sabedoria: «Não devemos deixar que o futuro seja minado pelas amarguras do passado.»

Os cínicos de serviço, que lançaram os maiores anátemas à Primavera árabe iniciada em 2011 – e já traduzida em eleições na Tunísia, no Egipto e na Líbia – deviam ver com atenção esta reportagem.

Fazia-lhes bem.

7 comentários em “Isto é serviço público”

  1. Pensava que o aniversário de Mandela ia passar em claro aqui no Delito. A reportagem de ontem foi excelente, sem lamúrias, sem lugares comuns. Directa e incisiva. Até (isto vai-me custar tanto escrever….) gostei de ouvir Cavaco Silva! A preciosidade de fazer uma reportagem sobre Mandela e não termos a, infelizmente, normal exibição de imagens do próprio sem fim. A coragem de De klerk, vista agora passados todos estes anos, é simplesmente admirável. É destes políticos que se faz a história.
    Mandela é o maior Homem do nosso tempo, não digo do século xx, porque também tivemos Churchill.

  2. Não vi a reportagem. Pedro. Tenho uma enorme admiração por Nelson Mandela. Perdoar é talvez o mais difícil com que nos deparamos e Mandela conseguiu erguer-se sem sede de vingança de um regime vil, desumano, abjecto. Pergunto-me como foi possível até aos anos 90 do século passado. Depois da segregação nos Estados Unidos parece que se aprendeu pouco.
    Registei o aniversário de Mandela no nosso mural no Facebook.

  3. É como dizes, compadre: os cínicos de serviço, que lançaram os maiores anátemas à Primavera árabe iniciada em 2011, deviam ter visto com atenção a reportagem a que muito bem te referes.

  4. Mais fantasias. A visão dourada da África do Sul de hoje continua só por causa da manipulação jornalista.
    O Apartheid continua e agora invertido.
    E 50 mortos por dia não fazem notícia, só possível com a pior profissão do mundo: jornalismo.
    Tal como hoje se há um ataque com drones no Afeganistão nem aparece nas notícias. Porquê?

    O crime na África do Sul.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Crime_in_South_Africa

    http://en.wikipedia.org/wiki/South_African_farm_attacks

    Depois existe hoje Apartheid das mulheres no mundo Muçulmano, em especial o Árabe, falar da “Primavera Árabe” e não falar disso…
    Para comparação com o caso mais extremo os pretos na África do Sul não tinham de andar tapados para ninguém lhes ver a côr, a “segregação” das mulheres árabes e não árabes em vários países é um facto e não há opróbrio nenhum no jornalismo de hoje contra
    esse outro Apartheid.

    Quanto à “Primavera Árabe” é só um estilhaçar do velho sistema Nacional-Socialista sem direcção.
    Aliás alguns eram membros da Internacional Socialista.
    Também outra coisa escondida…
    Onde vão cair os bocados não sabemos.
    Não há o conceito de Limite de Poder.

  5. Obrigado pela sensibilidade e o saber Pedro Correia.
    Nem toda a gente entende, pelos vistos, que esta reportagem versava um tempo e locais específicos da História. E não constituir um olhar sobre a evolução dos acontecimentos nela reportados ou abordagens colaterais ou transponíveis para outros azimutes.
    Como o Pedro notou, procurou-se recordar um evento marcante na história da humanidade, adicionando-lhe olhares/testemunhos que nos ajudam a entender, com maior equilíbrio, as pressões ali cruzadas.

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