Perdi neurónios?


fiodeprumo,

 

“O ministro da Solidariedade e Segurança Social diz que o desemprego é o maior problema do país e garante que a resposta está a ser estudada não só pelo seu Ministério como também pelo da Economia e Finanças. Uma das medidas que deverá entrar em vigor será a possibilidade de acumular o subsídio de desemprego com rendimentos do trabalho”.

Alguém me explica a lógica desta decisão depois de todas as medidas restritivas anteriormente tomadas? Se há rendimentos de trabalho é porque há trabalho. Se há subsídio de desemprego é porque não há trabalho. Ou apenas trabalha quem tem emprego?!

12 comentários em “Perdi neurónios?”

  1. Então, cara Helena? Pense comigo, vamos lá.
    Aquilo que o Ministro está a dizer, é dirigido principalmente aos empresários e traduz-se da seguinte forma: Meus amigos, podem contratar empregados pelo salário que bem entenderem, que nós,(estado, contribuintes e os próprios empregados) pagaremos mais umas migalhas, por forma a mantê-los convencidos que o desemprego é coisa de países como a Grécia; nós, não nos comparamos com eles.
    Mas… a quem é que já ouvi este raciocínio…?

  2. Trata-se de uma medida da mais elementar justiça. Eis o que acontece actualmente:
    – Alguém que esteja com subsidio de desemprego, assim que tive rendimentos adicionais, mesmo que pequenos ou insuficientes para se manter, e os declarar, perde o subsidio.
    A medida permitirá que os desempregados vão encontrando rendimentos adicionais ao subsidio de desemprego sem o perder.
    O que é habitual agora? Quem está no desemprego, para obter rendimento adicional, trabalha clandestinamente.

  3. A lógica está em associar de forma temporária esse subsidio a um salário mais baixo, para depois retirar o subsidio e ficar em definitivo o salário mais baixo. É uma lógica muito simples.

  4. Helena, há rendimentos de trabalho ocasionais que actualmente vedam o acesso ao subsidio de desemprego, o que leva as pessoas a optarem por não trabalhar ( não compensa). Esta medida, se vier, é boa porque evita o prolongamento da inactividade.

  5. Parece-me a mim que a ideia será, a de ir buscar descontos (do empregador e empregado) ao rendimentos de trabalho mesmo que precário, que simultaneamente ajude a pagar o subsídio…

  6. Eu vi isto num documentário do Friedman. Sinceramente, não acho que seja má ideia. Os subsídios devem ter como consequência a acção, nunca o imobilismo. A possibilidade de poder acumular subsídio com rendimento real beneficia aquelas pessoas que só arranjam trabalho precário. Não é má ideia, de todo.

  7. Helena, seria bom que nos deixemos de discutir lógica e formalismos (já sabemos todos que desemprego é desemprego e trabalho é trabalho) e desçamos à terra: há pessoas a recibos verdes a ganhar duzentos e trezentos euros por mês.

    1. Eu sei Pedro. Mas também tenho uma amiga cuja empregada ganha o dobro e não quer Caixa por nada deste mundo. Não quer ter IRS e se insistirem vai-se embora. Que fazer? Ser legalista e perde-la?
      Acresce que ganha outros 600€ noutra casa e exige o mesmo. Portanto temos aqui um exemplo de um salário de 1200€ não declarados para S.Social por imposição do empregado e não do empregador.
      Como proceder?

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