
Desculpem o narcisismo, mas não resisto a partilhar aqui uma boa notícia: o destaque, no Jornal de Letras, de um livro que publiquei no Brasil recentemente e tenho lutado para trazer também para o mercado português. Parece-me que consegui, finalmente. Chama-se “A Poesia é para Comer”.
Passou despercebido, mas o livro que o presidente da Câmara do Comércio do Brasil ofereceu a Aníbal Cavaco Silva, em março do ano passado, durante a visita oficial a Portugal da Chefe de Estado brasileira, Dilma Rousseff, tinha a marca de um grupo editorial português agora a atuar no outro lado do Atlântico, a Babel. Provavelmente, foi uma boa forma de abrir o apetite a futuros negócios entre os dois países, na medida em que não só se afigurava como mais um exemplo do intercâmbio económico em curso, como a obra tinha o sugestivo título de Poesia é para comer. No interior, a seleção de poemas de Ana Vidal era acompanhada por receitas de alguns dos mais conceituados chefs portugueses e brasileiros, em autênticas iguarias para o corpo e para o espírito. Não se sabe se este livro deixou o Presidente da República com água na boca, mas para Nuno Barros, administrador do Grupo Babel, criado por Paulo Teixeira Pinto, foi um “sinal” do “prestígio” que a aposta no Brasil já conquistou.
O resto do artigo do JL aqui.
Merecida referência, Ana.
Obrigada, Pedro.
Resumindo, tem receitas de bolo-rei em ortografia brasileira
Emocionante.
O resumo não é o seu forte, c. Não há receitas de bolo-rei e a ortografia respeita rigorosamente as diferenças linguísticas dos vários países lusófonos. Os textos portugueses estão no português pré-acordo, o que não é pouco para um livro publicado com o apoio do MINC. Isso, sim, foi emocionante. Fiz uma única concessão: a palavra “seleção”, na capa. Ah, e até hoje não sei se Cavaco Silva gostou do presente ou não.
tenho lutado para trazer também para o mercado português
Por que é que é preciso lutar? Por que é que, estando os livros publicados, disponíveis no Brasil, não basta metê-los num barco e trazê-los para Portugal e colocá-los à venda cá? Quais são os obstáculos?
Basta, diz o Luís Lavoura, “metê-los num barco e trazê-los para Portugal e colocá-los à venda cá”. Se fosse assim tão simples e sem custos (não sugere que os traga a nado, quais Lusíadas, pois não?) já cá estariam cá há muito tempo. Os obstáculos são os óbvios:
1. O mercado português não é minimamente atractivo por comparação com o brasileiro, muito maior e com maior poder de compra. Além de que a actual situação económica de Portugal não ajuda, como pode imaginar, e este é um livro necessariamente caro.
2. O transporte dos livros não é barato e o esforço financeiro parece inútil à editora, estando o livro a vender bem no Brasil.
3. A minha vontade de trazer o livro para Portugal (e para os outros países lusófonos, porque todos eles estão lá representados) não tem nada que ver com razões comerciais. E essas são as que mais interessam à editora, como se compreende.
Por isso falo em luta, e no prazer que me dá ter conseguido ganhar esta difícil batalha. Esclarecido?
“Perguntar não ofende”, diz-se, mas, não sei por quê, a Ana parece ter ficado ofendida, ou zangada, por eu ter feito umas perguntas triviais.
De qualquer forma, agradeço a resposta.
Se o livro é caro, então o acréscimo de preço resultante do transporte por barco deve ser relativamente pequeno. Não acredito que custe mais do que um ou dois euros por livro o transporte – o que, ao preço a que se vendem livros em Portugal, é uma ninharia.
Ademais, o mercado português, embora muito pequeno, sustenta um número impressionante de edições. São publicados imensos livros em Portugal. Não deve ser um mercado tão pequeno assim.
Luís, parece que estamos destinados a não nos entendermos. Não fiquei ofendida nem zangada, apenas ironizei porque as suas perguntas “triviais” têm uma resposta tão óbvia que era desnecessária.
O facto de serem publicados muitos títulos em Portugal – o número é completamente desporporcionado com as estatísticas de leitura no país – não significa que se vendam à mesma velocidade. A maioria dos livros passa quase directamente para um sono eterno nos armazéns das editoras, ou para a simples destruição, sem ter sequer tido tempo para se dar a conhecer.
Além disso, vá lá dizer a uma editora com um livro a vender bem num mercado enorme e promissor, que dois euros por livro em transportes para um mercado falido é um bom investimento. E depois conte-me a resposta que teve.
Eu posso ser muito estúpido, mas aquilo que é óbvio para si não o é para mim.
Eu pensava que houvesse umas proibições legais quaisquer que impedissem livros publicados no Brasil de serem vendidos em Portugal, e vice-versa. Pelos vistos, não é assim.
A maioria dos livros passa quase directamente para um sono eterno nos armazéns das editoras, ou para a simples destruição, sem ter sequer tido tempo para se dar a conhecer.
Que estranho. Se é para isso, para que é que os publicam? Publicam coisas para depois as destruir?
Você não é estúpido, Luís, é só do contra.
E sim, parece que publicamos para destruir. Os portugueses são uns seres misteriosos.
Ora aqui está uma coisa bem bonita. Parabéns, Ana.
Obrigada, amiga.
Corria o Natal de 2006 e eu via a minha parca estante enriquecida com um livro destes (versão “antiga”) autografado. Desde aí tenho engordado e gosto mais de poesia.
Parabéns, vizinha, pelo livro (versão “nova”) e pela referência merecida no Jornal de Letras.
Quanto à impressão que terá deixado no Cavaco Silva, só me ocorre pensar que ele estará a fazer contas ao custo dos pratos, dado que a pensão dele é mais parca do que a minha estante.
Viva, querido vizinho! Long time no see…
Fique sabendo que é para mim uma honra ter o meu livro na sua luxuosa estante, tu-cá-tu-lá com os mestres que a habitam. E gosto muito de saber que ele o tem entusiasmado a palmilhar os árduos caminhos da poesia. Quanto aos efeitos colaterais, gordura é formosura!
Mas tem de ver esta nova versão, ficou catita. Ah, e eu não alimento grandes ilusões sobre o impacto do livro no nosso ilustre apreciador de bolo-rei… 🙂
Beijos
Parabéns, Ana, pelo teu ovo (não sei se estrelado, se mexido) de Colombo. Foi uma ideia brilhante e tão bem concretizada, que começamos logo por comê-la com os olhos.
Teresa, aqui há ovos de colombo para todos os gostos… poéticos e artísticos também! 🙂
acho isto tudo muito lindo mas a verdade é que, até hoje, não provámos nada. ler receitas com poesia é muito bonito, e até dá para comer como dizia a natália, mas não enche o bucho. queremos provar!
parabéns, ana!
Tens muita razão. Fica desde já prometido que levo uma sobremesa do livro para o nosso próximo jantar. Cross my heart. 🙂
Subscrevo. A reclamação e os parabéns
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E eu agradeço, Rui. Reforçando a promessa, claro.
Apetecível coletânea. Parabéns, Ana! De cá de longe da província:), desconhecia esta sua faceta. Gosto do sub título, tb:)
Roubei o título à Natália, Fátima, tinha de me redimir… O livro deu muito trabalho, mas foi um enorme prazer coligir tudo isto. Sem falsas modéstias, estou contente com o resultado.
Mais uma vez, parabéns!
Obrigada, Zé Maria. Deixaste-me verde de inveja com a tua descrição das Phi Phi… 🙂
Parabéns, Ana! Devíamos fazer uma tertúlia gastronómica.
Acho uma excelente ideia, Leonor! O Delito é um covil de gourmets, como temos visto.
Parabéns, querida, mais do que merecido!