A tragédia grega e a sua sequela.


Luís Menezes Leitão,

 

O adiamento da reunião do Eurogrupo depois de a Grécia ter cumprido com todas as suas exigências, com inúmeros custos pessoais para os governantes e deputados gregos, já permitia antecipar esta notícia. Está à vista que a maior parte dos países europeus não está disposta a emprestar mais dinheiro à Grécia e prefere a sua bancarrota, seguindo-se naturalmente a expulsão do euro e da própria União Europeia. As declarações do Ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble de que hoje a zona euro está mais preparada para lidar com o incumprimento da Grécia do que há dois anos atrás mostra que o programa de ajuda não passou de um colossal embuste para ganhar tempo, uma vez que era evidente que não iria resolver o problema da Grécia, que só podia acabar em tragédia. Da mesma forma que não vai resolver o problema de Portugal, que vai ser a evidente sequela deste filme. Não haja ilusões de que, sendo o remédio aplicado à Grécia exactamente o mesmo que o aplicado a Portugal, os resultados serão absolutamente idênticos. Vozes como a de Wolfgang Münchnau que defendem a bancarrota da Grécia também defendem a de Portugal. E Nouriel Roubini, que previu a crise do subprime americano, assegura que tanto a Grécia como Portugal vão ter de deixar o euro. Assim, embora Schäuble tenha dito a Gaspar que a Alemanha terá atenção aos problemas portugueses quando for resolvida a questão grega, é bem de ver que quando no fim de 2013 pedirmos mais dinheiro vamos ter exactamente a mesma resposta que os gregos agora estão a ter. Por muito que o nosso Governo repita que Portugal não é a Grécia, para os países do Norte somos exactamente o mesmo tipo de país: com muita história, muito sol e muita praia e o desagradável hábito de pedir constantemente mais dinheiro aos outros. Como se diz na capa da revista Focus na imagem, não passamos de impostores e caloteiros que se meteram indesejavelmente na ordeira família do euro.

4 comentários em “A tragédia grega e a sua sequela.”

  1. As situações são diferentes. A postura é diferente. Não vejo prédios a arder. Somo maus, a situação também é muito difícil – a vontade de reformas menor do que a apregoada, mas somos um estado. Um mau estado, mas um estado.

  2. Penso que as coisas nao podem ser deduzidas por A+B.

    O memorando da troika em Portugal é diferente do da Grécia, pois sempre se aprende com os erros, mas sendo facto ele ter mudado muito, mas mesmo assim.
    Quanto á imagem que faz de nós para quem está lá fora continua a nao ser igual á da grécia, pois os Gregos ja tem um historial de bancarrotas e consequente pedidos de dinheiro bem maior do que o nosso. Nós de certa maneira temos sido sempre o aluno discreto que nao cria problemas.

    Não sendo ingénuos também não deveremos ser fatalistas

  3. “Κάηκε η Αθήνα, όπως παλαιότερα είχε καεί η Ρώμη (…).ποιος είναι όμως ο νέος Νέρων”
    Queimaram Atenas, como anteriormente foi queimada Roma. Quem é o novo Nero?

    Haris Vlavianos

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