Encontrei o belo milhafre menos grave e sério, espreguiçando as penas sob um glorioso sol de Inverno. Habituado a tiritar num cinzento de chumbo, esse chumbo que lhe feriu um dia a asa, deixou-se por uma vez de lutos e mistérios e recebeu-me alegre como nunca. Por uma vez lhe vi sorridente o rosto de cantaria, franco e aberto o jeito fechado, resplandecente o timbre pardacento. Por uma vez o luto lhe foi aliviado por uma rara benção dos deuses. E vim pensando, no regresso a casa, que, de tão luminoso, o milhafre quase me parecia a minha gaivota moura.

Um texto bonito como o Porto merece.
Obrigada, José. O Porto merece tudo, e estava belíssimo.
Ainda bem, mas nota-se que tens andado distante há muito. Só ficou para trás o tempo de quem vinha e atravessava o rio junto à Serra do Pilar. Fizeram uma ponte nova para o metropolitano? Não: fizeram-nas para tudo o resto, mas pegaram no metro e plantaram-no no cimo da velha ponte. Nunca mais se atravessou o rio a olhar da Ribeira até à Foz do mesmo modo.
Tens razão, mas olha que ainda fiz o gosto ao dedo e atravessei a velha ponte D. Luís até Gaia, para ter uma visão mais parecida com a de antigamente. Valeu a pena, com aquele sol magnífico.
E gostei muito do cafezinho com um certo amigo refilão e o seu amigo “comentador”. 🙂
Lindo.
Obrigada, Carlos. Se se refere ao Porto, tem muita razão. Se é ao meu texto, em abono da verdade tenho de dividir os créditos com o Rui Veloso. 🙂
Pas de quoi. Refiro-me a tudo.
Já agora, uma observação: é muito frequente pensar-se que a melhor vista é do tabuleiro superior da Ponte D. Luiz ou da Serra do Pilar — não é. A melhor vista obtém-se descendo a Rua General Torres, de carro ou a pé — deslumbrante.
É mais do que justo destacar a fotografia, que é soberba (não sei de quem é, confesso).
Exactamente assim estava o Porto – e Guimarães, já agora – no fim-de-semana. Uma beleza.
Não sei qual é a rua General Torres… sorry. O meu conhecimento do Porto é antigo mas limitado na toponímia. Mas uma vista deslumbrante é a que se tem de Gaia, como Lisboa vista de Almada.
Tal e qual: a Rua General Torres fica em Gaia. 🙂
Claro, assim faz todo o sentido. 🙂
Partilhamos o mesmo gosto.
Apesar de ter sempre vivido no Porto até muito recentemente, descobri essa maravilha e páro por lá sempre que posso.
Este texto, mesmo que em parceria, e esta foto fazem-lhe justiça.
Uma beleza!
🙂
À excepção de alguns períodos no estrangeiro e dos 5 anos da minha licenciatura, também vivi sempre no Porto.
Alexandra, que pena não nos termos cruzado! Foi por pouco, não? 🙂
Ou melhor, tenho de dividir os créditos com o Carlos Tê.
Magnífico. O Porto e o post.
Obrigada, André.
Então andaste por cá… Bem me parecia que havia no ar uma vibração especial.
Pois havia!
Jaa, podias ter vindo tomar um café connosco! Que pena não termos combinado com mais tempo.
Bonito, Ana, bem bonito. O Carlos Tê gostaria de te ler assim, acredita. E cafezinho em boa companhia, estou a ver 🙂
Um café e um bagaço…
Não sei, Ivone… dei-lhe cabo da letra. 🙂
Cafezinho em óptima companhia. Teimosa, mas óptima.
Um cafezinho e um bagacinho.
lolinho!