Aos 35 anos somos profissionalmente encarados como crianças, mesmo por aqueles – ou sobretudo por aqueles – que, gerações idas, estavam profissionalmente instalados aos 30.
Coisas da minha geração (1)
Adolfo Mesquita Nunes,
Aos 35 anos somos profissionalmente encarados como crianças, mesmo por aqueles – ou sobretudo por aqueles – que, gerações idas, estavam profissionalmente instalados aos 30.
POis claro.
Se lhe reconhecessem maturidade tinham que 1) aumentá-lo 2) considerá-lo obsoleto.
Como nos dias que correm 1) está fora de questão, dê-se por satisfeito por não ser 2). E não se esqueça do IVA.
Não falo do meu caso particular. E nem sequer acho que a maturidade depende necessariamente da idade. Refiro-me apenas à pirâmide demográfica profissional.
Deixa lá. Se eu tivesse de escolher um tribuno, votaria em ti. Mesmo.
Ver resposta à Laura 🙂
Caramba, pá! Eu dava-te 35. Ou quase…
nem as gravatas estilo farda colegial me safam….
Eheh…
Manifesto: já que há dias classifiquei de curta a tua existência (o que era um elogio, não sei se percebeste) declaro que sou 100% a favor da frescura que a juventude traz à política e às profissões em geral. Sempre fui e continuo a ser. E não estou a falar das Jotas…
E depois, Adolfo, querias… mas 35 anos também já não é assim propriamente a verdura dos anos…
Esqueçam a política! Eu não trago para o blogue desabafos ou comentários políticos 🙂
Falo mesmo de uma geração que se confronta com imensas gerações que a antecedem ainda no activo e que, por isso mesmo, é encarada como sendo bem mais inexperiente do que é.
Com 35 anos o meu pai não era encarado como uma criança acabada de sair da faculdade. Aos 35 não era encarado como o cúmulo da experiência, bem sei. Mas tinha já uma carreira. A minha geração também tem, que há quem esteja no activo há mais de 10 anos. Mas parece não chegar…
Julgo que há uma razão essencial para isto, Adolfo, e ela é dolorosamente demográfica: se a fartura de gente nova e a sucessão de gerações estivessem a acontecer ao ritmo a que os mais velhos estavam habituados, os mais velhos não nos viam assim, estavam a chamar novos aos de vinte e dois, vinte e quatro, agora a chegar à vida activa.
…e claro, há sempre quem se esqueça de onde estava e o que fazia aos vinte e sete, porque ‘a idade é um posto’ e à falta de argumento válido toca de puxar desse galão; mas quem o faz perdeu qualidades pelo caminho.
é isso mesmo. costumo dizer que a nossa geração é de transição. os nossos chefes ainda não são velhos e quando eles sairem seremos nós velhos demais para sermos chefes, pelo que serão as gerações seguintes a assumir a coisa 🙂
Desculpa, Adolfo, eu percebi que a tua cogitação era genérica, exprimi-me mal.
Mesmo assim, cito, sem revelar a minha fonte: « adoro o Adolfo, é divertido, com um sentido de humor fabuloso, muito inteligente, com uma imensa capacidade de trabalho, elegantérrimo, o máximo!»
Toma e embrulha (suspeito que te vais zangar comigo para sempre 😉
Vou apenas fingir que me zango… 🙂
E Laura, eu apenas tenho 34 😛
Ó Adolfo! A massa cinzenta não tem idade, deixa-te lá de coisas!
chama-se instinto de defesa.
/de sobrevivência.
Talvez. Embora me pareça que é a própria pirâmide demográfica que impõe essas conclusões…
Acredito que seja um estigma da nossa geração (tenho 32), mas pessoalmente não me posso queixar, já que tive o primeiro cargo de direcção aos 27 anos e o actual director-geral da empresa tem 29. Há empresas e empresas.
Claro que há muitas excepções. Estas considerações são genéricas. Mas há algo que me parece ser próprio desta geração (e por maioria de razão, das seguintes): a de encontrar muitas gerações antecedentes ainda activas – o que evidentemente cria a aparência de inexperiência.
Concordo.
A media de idades da tripulação dos porta aviões americanos na batalha de Midway era de 21 anos.
Os anos de criação e criatividade são entre os 17 e os 25-30. Como agora são enfiados nas “escolas” “universidades” as sociedades ocidentais perdem toda essa energia. É mais um dos aspectos da bolha especulativa na educação. Estranho é que poucos notem os resultados.
Não sei se concordo muito com essa barreira geracional quanto à criatividade. Não tenho dados que me apoiem, no entanto.
Adolfo, pensa bem: num mundo em que se vive cada vez mais e a perspectiva é trabalhar cada vez até mais tarde, apesar de um mercado de trabalho que continua cego a estas mudanças, como queres que os mais velhos façam valer a sua utilidade a não ser pelo trunfo da experiência? O mundo do trabalho é injusto com os jovens? Talvez, mas garanto-te que é ainda muito mais injusto com os mais velhos.
Eu não estava tanto a falar da injustiça do mundo do trabalho, era mais um comentário mundano sobre a forma como eramos vistos profissionalmente de um ponto de vista social. PKg
Acho que se aposta muito nos jovens, apenas acho, como disse em resposta à Ana Cláudia que somos uma geração de transição em termos demográficos.
E sobre o trabalho dos mais velhos, posso trazer a Thatcher? 🙂
http://www.youtube.com/watch?v=2t1yQqhN
Venha ela. Grande Maggie, a falta que fazem políticos assim! 🙂
Discussão interessante, parece-me. Um bocado em família, talvez. Mas interessante, sem dúvida.
É certo que, com a esperança de vida a crescer e, em consequência, o tempo de vida também, por um lado e, por outro lksdo, o tempo de aprendizagem (escolar) também cada vez mais longo – licenciaturas, mestrados, doutoramentos, pós-tudo -, as pessoas chegam ao mundo do trabalho mais tarde e, logicamente, também mais tarde atingem lugares elevados na hierarquia. Isso é certo. Mas também é certo que os jovens – e não estou a falar dos jotas, que se dizem jovens até aos 40 anos… -, entram hoje no mercado de trabalho muito mais bem preparados do que os jovens de há 30 ou 40 anos.
Agora, o que me parece mais importante, é lutar para que essa ascensão de faça de forma justa. Que seja mais tarde, sim, mas não à custa de injustiças. Isso não.
Corrigindo o meu comentário de há momentos:
Discussão interessante, parece-me. Um bocado em família, talvez. Mas interessante, sem dúvida.
É certo que, com a esperança de vida a crescer e, em consequência, o tempo de vida também, por um lado e, por outro lado, o tempo de aprendizagem (escolar) também cada vez mais longo – licenciaturas, mestrados, doutoramentos, pós-tudo -, as pessoas chegam ao mundo do trabalho mais tarde e, logicamente, também mais tarde atingem lugares elevados na hierarquia. Isso é certo. Mas também é certo que os jovens – e não estou a falar dos jotas, que se dizem jovens até aos 40 anos… -, entram hoje no mercado de trabalho muito mais bem preparados do que os jovens de há 30 ou 40 anos.
Agora, o que me parece mais importante, é lutar para que essa ascensão de faça de forma justa. Que seja mais tarde, sim, mas não à custa de injustiças. Isso não.