Uma casa vazia não me desafia. Fecho a porta sem sequer perder tempo a imaginar o que poderia fazer com e naquele espaço. O mesmo se passa com uma página em branco. Se a encontro em branco, em branco fica sem que me ocorra qualquer coisa de consistente para a preencher. Mas tudo muda se naquela casa, ou naquela página, existirem vestígios de ocupação. Um candeeiro ou um primeiro parágrafo podem, esses sim, convocar-me ao desafio.
Não sei se esta circunstância tem algum nome, daqueles nomes que hoje se dão a tudo e a nada para descrever tudo e nada. Mas deve ter um nome qualquer, a dar para o patológico. Se esta circunstância estivesse em branco e por classificar eu nem sequer me interessaria por ela.

Ah, o que te interpela é o início já ultrapassado?
Não te inquietes, Afonso, sei de coisas bem piores. Não é patologia, é só um modo de vida
Adoro quando me chamam Afonso 🙂
Lol! :))
Juro que não foi nenhum acto falhado, nem conheço Afonso algum a quem me dirija habitualmente.
Desculpa, és o melhor Adolfo do mundo.
Não tens noção da quantidade de vezes que isso sucede 🙂
Eu, pelo contrário, gosto de uma boa página em branco. Pronta a preencher.
Eu gosto muito de trabalhar com um ponto de partida aleatório que já conste da página. Ainda que, no fim, esse ponto de partida já lá não esteja e já tenha sido apagado.
Hum… Já me estás a dar uma ideia para uma nova série aqui no Delito.
Acho que te adivinho o pensamento. Era muito engraçado!
Desde que não me obriguem a começar 🙂
Recordo-me agora de que já tinha mais ou menos falado disto, aqui: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/34 11827.html
Um cadavre-exquis? Falámos disso, vagamente, num dos nossos últimos jantares. Alinho já, é o tipo de brincadeira que mais me desafia.
Ao contrário de ti, “Afonso”, uma casa vazia para mim é um desafio irresistível. Imagino imediatamente o que lhe poria dentro, com objectos, cores e recantos que a transformassem na “minha casa”. Mas prefiro sempre casas velhas, restauradas ou a precisar de obras. Nesse sentido dou-te razão, são casas que já foram vividas por alguém. 🙂
Como te compreendo, Ana. Eu então, que sou dada a insónias, em vez de contar carneiros vou preenchendo espaços :):)