Hoje na Faculdade de Letras de Lisboa


Patrícia Reis,

Hoje fui moderar um debate no âmbito de uma iniciativa universitária chamada: conexão lusófona (não perguntem, sff). Felizmente tinha comigo o escritor timorense Luis Cardoso, a poetisa angolana Ana Paula Tavares, brevemente o economista português Jorge Braga de Macedo, e o Tiago Soares, português, que é um indíviduo ligado à juventude das comunidades lusófonas (para onde ele for, eu voto!). Tivemos ainda o Kalaf, que lança hoje o seu primeiro livro, e que apesar de ter nascido em Angola gosta de dizer que é lisboeta. A conversa foi animada até ao momento em que na plateia uma aluna diz que não entendeu o debate, que queria outra coisa. Depois outro aluno questionou a palavra Conexão, conceito que a Ana Paula Tavares até descodificou no ínicio, mas que é da responsabilidade da organização e não dos desgraçados (ou seja, nós) que estávamos ali a debater o que é a lusofonia. No fim houve mesmo quem tenha afirmado que não entendeu o que é a lusofonia. Pois, os escritores e músico e futuro político (não tenho dúvida) falaram de património comum, de entendimento, de afectividade, da multiplicidade da língua, da identidade cultural enriquecida, de diversidade, de comunicação, de partilha e troca, da capacidade de ouvir e estar com o outro…  foi uma conversa até animada. Conclui que alguns dos alunos da Faculdade estão zangados. E não querem soluções para o futuro e tão pouco ouvir falar de afectos, querem chavões e mais nada. Posso ter interpretado mal, o meu papel era o ingrato papel da moderadora. Se assim foi, má interpretação minha, peço desculpa. Mas foi o sentimento que ficou e não foi apenas meu.

3 comentários em “Hoje na Faculdade de Letras de Lisboa”

  1. Por mera curiosidade, quantos congressos, encontros, etc é que haverá sobre anglofonia? E sobre castelhanofonia? Existem os conceitos?
    E quantos congressos há sobre o analfabetismo nos países lusófonos – que atinge valores únicos no mundo em alguns «países da lusofonia»? Também descodificam as conexões?

    1. BST, não faço ideia. Há muitos congressos sobre identidade cultura e até sobre idiomas específicos, no Reino Unido foi criado um instituto para a preservação da língua. Coisas destas. A ideia da conexão e da lusofonia é dos jovens da faculdades, nós fomos apenas convidados. Discutir a lusofonia é discutir um espaço onde convivem várias formas de português com imensas distinções culturais. E mais umas tantas coisas. Em espanha há coisas similares que são apenas para debater regiões, o que no caso, faz algum sentido também. Não sei mais que isto. Bom fim de semana P

  2. Afectos? Que raio de merda é essa? Conheço o amor, a amizade, até o afecto. Mas afectos, isso sim é um verdadeiro chavão do eduquês e de outros crioulos criados pela pseudo-psico-pedagogo-imbecilidade. Como acho que a Patrícia não é pessoa para embarcar nessas tretas, creio que foi mesmo lapso o uso desta palavra. Ou entao sou eu que, ao fim de 20 anos de ensino, já me tornei alérgico a este tipo de terminologia.

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