39 comentários em “Não aconselhável a pessoas impressionáveis”

    1. Sem dúvida, Carlos. Vivemos tempos em que os alunos interessados têm acesso a informação como nunca aconteceu. O potencial é enorme. A sua aluna é um excelente exemplo.

  1. Devem ser todos alunos da UNO – Universidade Novas Oportunidades, provenientes do ensino recorrente, está visto.
    Daqui a 4 ou 5 anos, alguns já estarão sentados em S. Bento e outros até mesmo na bancada, quem sabe? Ninguém neste país está livre de poder vir a ser governante…

    1. Um desastre, Luís. Já para não dizer que até as perguntas estão mal feitas. Não há símbolo químico da água. O que há é fórmula química da água.

  2. São estes sujeitinhos e estas sujeitinhas que irão ser o futuro do país!?
    Que andamos nós, afinal, a fazer nestes quase 40 anos depois do 25A ?
    Espanta ver tanta ignorância e burrice juntas.

    1. Bem sei que o vídeo não reproduz as muitas perguntas que, certamente, foram respondidas de forma correcta, Beirão. Mesmo assim, concordo que é impressionante.

  3. No Facebook um dos entrevistados diz que as entrevistas foram manipuladas. Segundo ele foram feitas 10 perguntas mas só apresentam as que erraram. O ISPA também já reagiu.

    1. Claro que sim, que só mostram as que erraram, esse é o propósito de toda a peça. O jornalista que a fez admitiu no facebook que quando partiu em reportagem não acreditava que aquelas perguntas tão fáceis gerassem respostas que dessem para fazer a reportagem, e que já se estava a pensar num plano B para aquelas páginas. Ou seja, se as respostas fossem acertadamente respondidas, nunca teria havido vídeo.

      Sobre o rapaz que refere, que diz que acertou todas as perguntas menos a da Capela Sistina, e que mal disse “Miguel Arcanjo” corrigiu logo para Miguel Ângelo, bom… Também está a mentir. Aqui está o vídeo com a entrevista dele: https://fbcdn-video-a.akamaihd.net/cfs-ak-snc4/346841/335/10150409331929026_22678.mp4?oh=beb76465510e900f7589874cd685acc7&oe=4EC81C00&__gda__=1321737216_9fbbfa4d0d566452b38727c13d6f1ecc

    2. Também me pareceu manipulada, se fizerem o mesmo à porta do São Carlos arriscam-se a conseguir algo semelhante. Parece-me mais mau jornalismo, com isto não querendo desculpar muita ignorância que há por aí.

  4. É inegável a distracção que anda por aí – mas ao mesmo fico sempre a pensar se estas pérolas videográficas não excluem, decerto por bons motivos editoriais, os transeuntes que acertaram.

  5. Aliado ao problema da assombrosa falta de cultura e da falta de interesse demonstrada nesse âmbito, creio devermos referir um outro problema que lhe está subjacente.

    A sociedade tem vindo a desenvolver uma apetência pelas profissões bem remuneradas. Essa apetência é corroborada por todo um estilo de comportamento social que leva a que os pais incutam no indivíduo jovem, não o que seria mais lógico e racional – a vocação do jovem – mas sim a procura de uma profissão-negócio que garanta uma qualidade de vida dita superior.

    O jovem é assim levado a ignorar as suas tendências inatas para este ou para aquele ofício e, em idade ainda precisada de conselhos maduros e sensatos, é instigado a procurar a via lucrativa. Ora o resultado só pode ser catastrófico! Além da impossibilidade, nessas condições, de o jovem estimular ao máximo as capacidades que lhe advêm da aptidão natural, o interesse que a via de estudos orientada para o lucro lhe desperta é, obviamente , senão nulo, pelo menos quase. Exemplificando, se um jovem com vocação para a literatura for instigado a seguir engenharia, poderá perder-se um bom dramaturgo mas ganhar-se-á pela certa um mau engenheiro. E se um jovem que demonstra desde cedo aptidões para a economia for forçosamente encaminhado para uma carreira em medicina, obter-se-á um médico medíocre e negligente e jamais se chegará a conhecer o seu valor nas ciências económicas.

    Parece-me pois que haverá que rever os padrões educativos, quer sociais quer parentais!

    1. Acrescento apenas uma nota, Isabel: nos tempos que correm, forçar certas opções faz ainda menos sentido. É impossível prever quais as profissões que serão bem remuneradas daqui a uns anos.

  6. Sou estudante universitária.

    Depois de uns momentos de incredulidade após a visualização do vídeo, decidi substituir o espanto pela dúvida – é muito fácil manipular este tipo de informação:

    1- Em momento algum se vê ou escuta a pergunta da boca do jornalista para o estudante. Portanto, ninguém me garante que a pergunta que fizeram àquelas pessoas foi a mesma que me apresentaram, ou que foi formulada da mesma maneira;

    2- Ninguém me garante que aquelas pessoas são estudantes universitários. O facto de se ser jovem quando se atravessa a estrada ao lado da faculdade, não faz de ninguém automaticamente estudante;

    3- Se 1 em 10 pessoas der uma resposta errada, mas apenas essa resposta errada for selecionada para a transmissão, então transforma-se uma taxa real de 10% de ignorantes numa taxa fictícia de 100%.

    Quando me mostrarem a versão não-editada deste vídeo, então eu formarei uma opinião sobre a cultura geral dos jovens universitários portugueses.

    Não podemos acreditar em tudo o que vemos. Não há nada mais fácil actualmente do que manipular a realidade. Cuidado.

    1. Todas são questões pertinentes, Susana. Ainda mais a que diz respeito à impossibilidade de extrapolar qualquer conclusão sobre a cultura geral (o José Gomes André refere isso mesmo num post ali mais acima).

      Entretanto, as críticas que são feitas parecem reconduzir-se ao facto de terem seleccionado apenas as respostas erradas.

  7. É sem dúvida impressionante. Quando vi o vídeo hoje de manhã, fiquei sem saber se havia de rir ou de chorar. Mas é preciso encarar este vídeo como o que é: uma selecção tendenciosa e interesseira de respostas.

    Não sabemos quantas pessoas foram entrevistadas nem qual a percentagem de respostas erradas (eu sei que eram fáceis, mas se me apontassem uma câmara do nada eu era capaz até de errar o meu nome, pois reajo mal a este tipo de pressão). Há ali ignorância mas, mais grave, em muitos casos há simples desinteresse.

    Tudo isto sem ignorar que são ali erradas perguntas que um estudante universitário deve saber (e deve querer saber), há que relembrar também que eles são precisamente isso: estudantes. E que a universidade serve para muito mais do que ensinar coisas sobre determinado ofício. Serve para nos ensinar a aprender, para nos fazer crescer intelectualmente e para construirmos um leque de relacionamentos potencialmente mais interessante para aspectos cognitivos do que aquele que temos no ensino secundário. Muitos daqueles entrevistados acabaram de vir do secundário. É dar-lhes tempo. E, mais uma vez, lembrar que ali está uma selecção tendenciosa, uma amostra manipulada da realidade para obter cliques num site e vender revistas.

    Tudo isto, para mim que sou da geração humilhada nesse vídeo, é bastante claro. Mas uma leitura dos comentários colocados no site da Sábado na sequência desse vídeo são de bradar aos céus. Precisamente porque demonstram tanta ou mais estupidez do que as respostas desses miúdos. Há desde os típicos comentários que tomam esta amostra pelo todo e que esta é uma geração perdida de burros, calões e bêbedos que só vão para a universidade para gastar o dinheiro dos pais, ir a festas e não fazer nenhum, até ao típico comentário jocoso sobre a “geração à rasca”, forma fácil de descredibilizar uma geração que se sente perdida, apesar de ter feito com sucesso o percurso que família e governo a incentivaram a fazer.

    Reconheço o direito de existência do vídeo, percebo que a Sábado o faça e porque o faz. Não é com o vídeo que fico desiludida. É com um público que não o sabe interpretar. Um público que se acha muito melhor do que as pessoas nele expostas.

    1. “Mas é preciso encarar este vídeo como o que é: uma selecção tendenciosa e interesseira de respostas.[..]Não é com o vídeo que fico desiludida. É com um público que não o sabe interpretar. Um público que se acha muito melhor do que as pessoas nele expostas.”

      Perfeito. É mesmo isto.

      1. Mais grave: o próprio texto que acompanha o vídeo mostra a intenção do jornalista. As referências às desculpas, ok, é justo. Mas são precisos os comentários sobre a rapariga que está a fumar à porta da faculdade e que parece que acabou de acordar quando já são horas de almoço. É todo um tom tendencioso dispensável quando o vídeo já cumpre o propósito da Sábado.

        Mas… é a Sábado. E tanto que eu poderia dizer sobre a Sábado…

        1. subscrevo os seus comentários anteriores. acabei de ver o texto na sábado e os comentários e concordo consigo: aquele texto é tendencioso, mesquinho e arrogante.

  8. O desfecho brilhante resume tudo: «Cultura geral não é comigo.» Torna-se evidente que tudo o que ultrapasse o conhecimento altamente especializado não faz perder tempo aos nossos universitários. Se não tivessem corrido a fechar a Universidade Independente, em breve seriam todos engenheiros.
    Fico com pena do actual ministro da Educação.

  9. Vejo aqui muita coisa: a manipulação na montagem é bastante óbvia, faltam ali uns tantos ‘pilares’ na obra de engenharia. Mas há outras evidências: apesar de tudo, fica a demostração da ignorância total, que é flagrante em alguns casos. E ainda um outro aspecto, para mim mais impressionante (eu ia dizer tocante): a insegurança dos inquiridos. O ar perdido de quem procura uma informação no caos de um depósito cultural completamente desarrumado, sem nexo nem sistematização: e aí a principal culpa está longe de ser deles.

    1. Depende, Laura. Até aceito que, no momento, se confunda quem pintou a Mona Lisa (Leonardo Da Vinci, Miguel Ângelo, etc), ou qual é a capital dos Estados Unidos. Mas nos dias que correm, não saber quem é a chanceller alemã implica um nível de alienação – ou de desinteresse – absolutamente assustador. Essa para mim é mesmo a mais grave – a senhora aparece todos os dias em todos os jornais, sites de notícias e noticiários televisivos.

      1. João, concordo contigo: a ignorância é indesmentível, com manipulação a mais ou a menos. Não faço parte do clube dos permissivos, bonzinhos e cegunhos… e este video já me tinha sido mostrado há dias pelo meu filho que, em vez de valorizar a má-fé da montagem, foi direito às evidências da falta de informação, aquelas que são irrefutáveis (o que me apanhou desprevenida é que este não é nada o seu registo habitual). Tive de mudar de campo e dei por mim a desfazer o escândalo dele defendendo os desamparados da massificação do ensino, as famílias que não podem dar um caldo de cultura aos filhos porque não a têm, etc, etc. Mas, quer queiramos quer não, foi este o mundo que construímos colectivamente, mesmo que não o tenhamos deixado crescer dentro das nossas casas. A democracia é assim mesmo: – frágil e tramada. Tudo para todos, mas na prática só sobrevivem os mais favorecidos (ia dizer os melhores, mas é mentira). Muito parecida com a utopia.

  10. Sinceramente não sei qual é o espanto. Basta frequentar por exemplo os festivais de música para perceber a ignorância da juventude de hoje. Como alguém escreveu acima,não sabem nem querem saber, são orgulhosamente ignorantes.
    Depois vêm chorar pelos direitos em manifestações.

    1. E é, Sérgio. Se formos fazer as mesmas perguntas à geração de 40, a taxa de desconhecedores seria muito pior.

  11. Acho que estão a ser demasiado crueis com os moços!!!

    A culpa é desta cultura judaico/cristã logo a culpa é do Moisés ter escrito ‘aquela coisa’ segundo o treinador do Benfica.

    E… toda a gente sabe que a água é PH0… 0… 7, acho eu com a Angela Merkle como protagonista!

  12. É inadmissível que generalizem o todo pela parte. Há muita juventude que sabe muito e escreve divinalmente. Hoje a juventude tem um horizonte de incentivos ao divertimento que eu não tinha na idade deles. Ou RTP (a preto e branco) ou livros. E dou-vos um exemplo: quando eu andava na escola uns colegas mais afoitos, incitaram-se a ler o “Crime do Padre Amaro”. O meu pai proibiu-me liminarmente, quando lhe perguntei se o podia ler. Claro que no dia seguinte estava a ler o livro às escondidas. Mas naquele tempo também não havia PS1 , 2, 3, 4… nem XBox , nem… telemóveis, nem… nem…
    Os livros eram naturalmente a nossa “vingança” contra a tirania. E ainda bem! Só assim pude ler obras fantásticas…

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