O vídeo do momento (postado ali em baixo pelo Rui Rocha) tem suscitado indignação e múltiplos comentários, havendo quem queira debater o estado do ensino superior e até “o futuro” do país a partir de um vídeo de quatro minutos. Eu dou o meu modesto contributo para o “debate” com uma singela expressão inglesa: “cherry picking”.
Da “ignorância” dos jovens
josegomesandre,

Tens toda a razão, caro José. Vale o que vale. Partir dali como base de discussões sérias não faz qualquer sentido.
Estou quase tentado a dar-te razão e só não me atrevo a tanto porque cultura geral não é comigo.
Temos de discutir isso com um bom “cimbálino”, João. Pelo que vi agora ali mais atrás, já percebi que o mais fácil será dar um salto aos Açores. É como dizem por aí, na Base das Lajes: “when the going gets tough, the tough get going”. Um grande abraço.
Vamos nessa, Rui. Sei que estás bem porque, como talvez também se diga na Base das Lajes, “no news, good news”. Eheh…
Retribuo-te o abraço com gosto. (A 17 de Dezembro estarei de novo no Porto, para a primeira revisão.)
Subscrevo. Aliás o tom da ‘reportagem’ é péssimo: http://www.sabado.pt/Multimedia/Vid eos/Vox-Pop/VoxPop–A-ignorancia-dos-nos sos-universitarios.aspx
Querias dizer Da ignorância (sem aspas) dos paspalhos, José?
Será que aquele nivel de ignorancia é geral ao nivel dos jovens de 18-20 anos, ou aqueles foram escolhidos a dedo? Não sei, não faço a minima ideia. Mas se aquela ignorancia basica é a regra então há muita coisa que deve ser posta em causa e discutida ao nivel da educação em Portugal.
Sou pai de seis filhos, cinco já concluiram os seus estudos, e a mais nova entrou este ano para a universidade, e sei que na escola raramente os mandavam ler um livro que fosse. Os livros que os meus filhos leram ao longo das suas vidas, leram-nos em casa, e muitas vezes aconteceu obriga-los a trocar a tv ou o computador por leitura, coisa que eles hoje agradecem. Acho portanto que a ignorancia exibida por aqueles jovens, não é totalmente culpa deles.
Deixo aqui a sugestão aos autores da reportagem da Sabado, revista que não frequento, para voltarem ao “local do crime” e desta vez perguntarem aos mesmos jovens os nomes dos hospedes da casa dos segredos. Aposto que os conhecem na ponta da lingua.
Como dizem na Base das Lajes: Maybe you’d be surprised how smart those wizards can get, buddy. Don’t shoot the bear before you sell the skin.
Serão entregues – como alguém responde na Base das Lajes.

Caro José Gomes,
Concordo perfeitamente com o diz. Nessa mesma linha, acabei por fazer uma pequena reflexão sobre o tema aqui: http://oinsecto.blogspot.com/2011/11/pro posito-do-video-ignorancia-dos.html
Antes fosse “cherry picking”. O seu post é que é “wishful thinking”.
Para complemento:
44% não sabem quem pintou o tecto da Capela Sistina, 26% não sabem qual o maior mamífero do mundo, 52% não sabem como se chamava o maior campo de concentração nazi, 24% não sabem qual a capital dos EUA, 76% não sabem quem escreveu “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” and so on …
Dados da Sábado
Como se isso, aliás, fossem perguntas espertas… quando não passam de banalidades dignas de uma versão manhosa do Pictionary. Fernando, diga lá:
1. Quem escreveu o verso “Equo ne credite, Teucri! Quidquid id est, timeo Danaos et dona ferentis”
2. Quem escreveu que o silêncio equivale a “naus com todas as velas pandas”?
3. Quem pintou os vitrais na Igreja de Nª Srªa do Rosário de Fátima na Avenida de Berna em Lisboa?
4. Quem escreveu “Viagens com um Burro nas Cevénnes”?
Ir ao google não vale.
Se não sabem responder a perguntas de Trivial Pursuit, como será as outras.
As suas, assim de cabeça, tenho a 1, 2 e a 4.
Vitarais não é a minha cena! 😉
Ena! 🙂
Mas já contribui para o meu enriquecimento. Fui googlar e os vitrais de Almada Negreiros são, de facto, magníficos. Agradeço pois a dica.
Ah. Não sou o único… Resta dizer que é um método que tem sido aplicado a quase tudo o que vemos e lemos.
Bem verdade. lembro-me de semelhante “reportagem” am (creio) 93 pelo Expresso. Na Rádio Universidade de Coimbra, onde colaborei, fazia-se a selecção dos estagiários do curso de informação também por uma prova de cultura geral. Ríamo-nos que nem perdidos com as respostas, mas sabíamos que pouco significado tinham. Tenho uma amiga que teve nesse teste algumas das respostas mais hilariantes que lemos. Tudo porque nunca tinha “aprendido a aprender”. Hoje esmaga a maior parte das pessoas que conheço com a sua cultura.
Comparar a cultura de miúdos até aos 20 anos de idade com a de adultos não faz qualquer sentido. Especialmente quando se tem telhados de vidro como os senhores da sábado. Alguém me sabe dizer qual o erro na pergunta “Qual o símbolo químico da água?”
PS – para todos os “cultos” daqui, ficaria a pergunta óbvia: E se as perguntas fossem sobre coisinhas muito básicassobre ciência, tal como “O que diz a segunda lei da termodinâmica?”, ou “qual a diferença entre relatividade restrita e relatividade geral?”, ou ainda “as mitocôndrias possuem um ADN próprio e diferente das células, certo ou errado?”, ou até “qual o resultado de uma reacção entre um ácido e uma base?”. Creio que muita gente empancaria e diria que isso nada tem a ver com cultura geral, não é?