Hoje há crepes, mas não para mim


claudiakover,

Assimilado o cheiro a esgoto, que infelizmente se entranha nesta passagem bem próxima dos Armazéns do Chiado, escolhi o tão desejado lanche: crepe com queijo brie, mel e noz.

 

Mas, “não há crepes”, dizem-me. Pelo menos não para mim.

 

Assim tive de fazer recuar a saliva que se amontoava na expectativa de saborear um queijo derretido e contentar-me com um scone com doce de framboesa. Um scone, sim. Antigamente (como quem diz, há uns meses), vinham dois ou três. Hoje, veio só um, que chegou atrasado e de formato entristecido, como se algo no seu interior o tivesse feito encolher-se em solidão.

 

“Foi feito na hora”, desculpa-se a figura atrapalhada.

 

Já mastigava eu o scone – lamuriando ainda o meu desejo de comer o tal crepe – quando me recordei que muitas das poucas coisas que sei cozinhar são compostas por: farinha, açúcar, manteiga, leite e ovos. E se eu tinha dúvidas na receita, o crepe que chegou à mesa da alegre família da mesa do lado deixou-me esclarecida e, enfim, faminta de inveja.  

 

Entretanto, se por lá passarem, comam o tal crepe por mim.

3 comentários em “Hoje há crepes, mas não para mim”

  1. Não conheço este Naturalliving, Cláudia, mas acho que fiquei esclarecida sobre a qualidade. Qualquer tasquinha lisboeta é mais generosa do que estas sofisticações pretensiosas, que muitas vezes só têm o trunfo da estética.

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