«O Estado só deve estar onde a sociedade não consegue», diz o nosso Adolfo em entrevista à edição de hoje do i. E diz muito bem.
Diz muito bem
Pedro Correia,
«O Estado só deve estar onde a sociedade não consegue», diz o nosso Adolfo em entrevista à edição de hoje do i. E diz muito bem.
O problema é que a sociedade que temos só consegue entrar onde o Estado a deixa e com o Estado e não consegue fazer nada sem estar agarrado a ele. É o seu seguro, não de vida mas de subsistência.
O Adolfo esteve bem na entrevista, como hoje também na AR, mas talvez seja melhor reformar primeiro a sociedade para depois construir um Estado decente.
Esse é um dos nossos grandes problemas estruturais, Sérgio: temos uma sociedade pouco autónoma e demasiado dependente do Estado. Reconhecer o problema é o primeiro passo para que seja encontrada a solução.
Bem, de facto, também tinha lido.
Senso comum.
Quando a sociedade não consegue entrar em negociatas é que fico nervoso. Mas quando é o nosso Adolfo a dizê-lo fico logo mais calmo. Gostei de ler.
Também gostei de o ouvir na estreia parlamentar, ontem.
Antes de mais, o que é a sociedade para este moço? O Grupo Amorim, ou Sonae ou os Espírito Santo?
Este ‘moço’, como V. diz, é um deputado recém-eleito. Ainda bem que, apesar de tudo, existem ainda jovens dispostos a participar na vida política. Infelizmente já são poucos.
Concordo em absoluto. Ainda bem que há jovens a ser eleitos. Posto isto, não lhe devo especial respeito nem por ter sido eleito nem por ser jovem.
E isso não tem nada que ver com as minhas dúvidas: — O que é que ele entende por sociedade? O Estado não é uma instituição da nossa sociedade? Não estará ele a cair num dualismo que é redutor?
Sabendo que para os liberais o dualismo é entre público (estado) e privado (empresas), creio que a minha interrogação é no mínimo, legítima.
Parafraseando o ex-ministro ‘socialista’ Luís Amado, «o País [Portugal] precisa de um choque liberal.»
Um choque liberal é o que está a ter. Veremos se é o que precisa… Talvez sim, pela mesma razão que um coração dá um pulo quando leva um choque e morre eletrocutado se não se desligar a corrente.
Pelo que tenho ouvido na nova maioria a frase seria mais: “onde os privados não conseguem.”
Concordo com a frase do Adolfo. Sobretudo em tempo de crise, quando todos sabemos que o dinheiro não chega para tudo nem para todos. Pode e deve e tem de chegar àqueles que precisam mesmo.