Pelas notícias dos últimos dias, parece que estamos enclausurados entre alguém (Trichet) que pensa num futuro para o Euro, mas se recusa a admitir o óbvio, e outro alguém (Schauble) que defende o óbvio mas não tem um plano de longo prazo para a Moeda Única. O futuro não é promissor.
É este o panorama?
José Maria Gui Pimentel,

Escudos, Liras, Dracmas… É este o futuro!
Quando o óbvio e o futuro são incompativeis….é esse o resultado.
Sobre o que pretende o Ministro das Finanças alemão, quanto à participação dos credores privados:
“(…) a Fitch alertou ontem que oferecer tais condições aos credores privados seria considerado um ‘default’, correndo-se o risco de accionar os seguros por incumprimento da dívida (CDS)”
(Económico de hoje)
O que faz supor que o tal “óbvio” afinal não é assim tão evidente que o seja, uma vez que o “default” obrigaria a um verdadeiro “haircut”, para além dos nefastos efeitos de contágio (sobretudo a Portugal).
É um dossier (tipo novela) para acompanhar com toda a atenção, pois é nele que será jogado o futuro do projecto europeu (união europeia e união monetária) e, consequentemente, o futuro de Portugal.
Nunca antes como agora senti tanto que o nosso destino depende mais da UE do que de nós próprios.
Embora em muito dependa de nós… e esperemos que assim continue!
Ponto prévio: isto é terreno movediço, é difícil, para não dizer impossível, fazer julgamentos definitivos, por isso isto é meramente uma opinião. Mas uma reestruturação feita sob determinados parâmetros pode evitar, por um lado, que sejam activados os CDS, e, por outro, que as instituições que tenham os títulos com valor facial sejam obrigadas a reconhecer a perda.
O problema é antes outro: é que uma reestruturação leve pode não ser suficiente!