Sem emenda e sem perdão


Sérgio de Almeida Correia,

 

O que então pensava mantém-se, sem tirar nem pôr.

 

A Dr.ª Manuela também não tem qualquer culpa que a grã-cruz da Ordem Militar de Cristo e as demais distinções sejam atribuídas no mero cumprimento de um ritual, que já tem tanto de pacóvio quanto de banal de cada vez que chegamos a Junho. E se ele próprio, Cavaco Silva, a recebeu, bem como Carlos Carvalhas, Rocha Vieira ou Ana Gomes, não vejo por que motivo a senhora não poderia recebê-la. Será mais uma. Mas ao menos seria bom que se esclarecesse aos portugueses quais os “destacados serviços” que merecem ser “especialmente distinguidos“.

 

Quem faz da cidadania e do serviço aos outros o seu lema de vida só pode ficar deprimido quando chega o 10 de Junho e olha para as listas de condecorados do regime.

 

A cidadania não pode continuar a ser paga. Muito menos a políticos e dessa forma espúria e tão pouco camoniana. Por isso mesmo é tempo dos verdadeiros cidadãos recusarem tais “distinções”, em nome de Portugal, sob pena de ficarem comprometidos com a forma nada republicana e assaz medíocre como este regime e os seus mais altos responsáveis entenderam prestigiar-se.

4 comentários em “Sem emenda e sem perdão”

  1. Posso aqui deixar alguns:

    – PGA (Prova Geral de Acesso) ao ensino superior, quando era Ministra da Educação, prova essa que era bastante discutível quanto a avaliação de conhecimentos, tão descutível que apenas durou 1 ano;

    – Início do estabelecimento do acordo com Espanha para o TGV;

    – Seguritização das dívidas da segurança social, recebendo antecipadamente um valor inferior (por utilização do desconto) e a ter que devolver o valor recebido se não fossem cobradas;

    – Um défice fora dos parâmetros de convergência, quando o país não atravessava a crise internacional que atravesou agora (não que esta crise internacional seja a única explicação para o défice actual);

    – perdão de dívida fiscal, onde se perdoava o valor de juros de mora e compensatórios. Prémio aos prevaricadores??

    – Aceitar, como colateral de uma dívida fiscal, acções do Benfica (não cotadas em bolsa) pelo seu valor nominal (5 euros). Apenas para referência da qualidade do colateral refira-se que agora valem apenas 1,2 euros.

    Eureka !!! Foi isso! Foi pelo Benfica, esse Desígnio Nacional

  2. Sem personalizar, até pelas razões e variedade de nomes que apontas, estou inteiramente de acordo contigo. Estas distinções não foram criadas para condecorar políticos pelo mero exercício pago da sua profissão, por muito bons que esses serviços tenham sido.

  3. Acrescento que, numa cerimónia solene realizada numa cidade do interior do País, a esmagadora maioria dos “agraciados” veio, uma vez mais, de Lisboa e Porto. O interior até numa ocasião destas fica esquecido. Serve quase só de cenário.

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