Dias de vómito


modosdever,

Um grupo de fuzileiros da escola de Vale de Zebro agrediu violentamente, no ano passado, um companheiro em circunstâncias que estão por esclarecer – ou já o foram e estão escondidas. O Público e o Expresso dão a notícia. Interrogada pelo diário, a Marinha fecha-se em copas, não se sabe se por segredo de Estado se por mera vergonha. Mas o registo de vídeo, publicado pelo semanário, é bem elucidativo. Aparentemente os corajosos militares da garbosa academia terão sido punidos com cinco dias dentro do quartel, desconhecendo-se como os aproveitaram pois não terá sido a primeira vez que se dedicaram a sovar camaradas. É impossível não ligar este caso ao das miúdas que pontapearam uma colega e foram mandadas para prisão preventiva. Quando a tropa premeia com cinco diazinhos de castigo um bando que veste a lustrosa farda dos fuzileiros e um juiz civil não consegue enxergar na lei outra medida para jovens zaragateiros de 15, 16 e 18 anos que não seja a prisão preventiva não temos mesmo quem nos defenda – nem as forças armadas nem a justiça. Portugal está mesmo à deriva, balança, enjoa quando não dá vómitos. Bem pode o Presidente da República pedir justiça, como os jovens advogados oficiosos no fim dos julgamentos nos quais pesaram pouco ou nada…

7 comentários em “Dias de vómito”

    1. Pois, Leonor; mais teria escrito se a caneta a certa altura não tivesse começado a ganhar vida e a sentir nojo, que foi quando a pousei para não descer ao nível da(s) história(s).

  1. Infelizmente situações deste tipo devem ser mais que muitas, em contextos semelhantes ou diversos. E o facto de, da parte da Marinha, se dizer que não é uma praxe não ajuda muito. Não querendo pôr em causa a instituição em si, com uma história cheia de aspectos positivos, a verdade é que estes comportamentos só se continuam a verificar porque há, de alguma forma, uma tolerância por parte dos superiores.

    1. Sem dúvida, analima. O que me tira o sono é que neste preciso momento estão a acontecer coisas cujos vídeos só conheceremos dentro de um ano. Não foi o que aconteceu com com o indecoroso episódio da Taser na prisão de Paços de Ferreira em condições inacreditáveis? Mas o pior é que tudo se resolve com comunicados inócuos, mesmo quando se já sabe que, não sendo praxes, são cenas recorrentes…

      1. Um ano é capaz de ser muito. Nesta altura deve haver uma grande quantidade de estagiários dos órgãos de comunicação social a “vasculhar” o You Tube e outras fontes à procura de mais vídeos do género. Claro que depois temos que discutir a pertinência de mostrar estas cenas à exaustão pois ainda não está provado se esta situação, inspirada no direito à informação e ao conhecimento, à semelhança das imagens de incêndios, não servirá de inspiração para futuras cenas semelhantes. Mas isso é tão complexo…

        1. É verdade. Mas de repente só vejo uma saída para esse dilema: a ética. Há coisas que se eu apanhar no youtube não as porei de certeza em linha. Outras, como a dos garbosos fuzileiros, viriam de certeza para aqui.

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