Um partido sem emenda (3)


Pedro Correia,

«O radicalismo inconsciente de “correr o Sócrates o mais depressa possível”, a que no PSD se deu ouvidos, ameaça ser ou mantê-lo, contra todas as evidências, ou dar-lhe o melhor cenário possível para um retorno ao poder a curto prazo. E o melhor cenário possível, não custa perceber, é um PSD ganhador por uma pequena margem sobre um PS que sai do seu annus horribilis sem grandes estragos. Sócrates escapará ao pior da crise, a execução do plano de austeridade do FMI passará a responsabilidade do PSD, e este estará na primeira bancada da Assembleia a conduzir uma oposição revanchista e perigosa face a um PSD muito debilitado por uma vitória que será de Pirro.»

José Pacheco Pereira, em artigo de página inteira hoje no Público. Faltam 42 dias para as legislativas.

12 comentários em “Um partido sem emenda (3)”

  1. Portanto, segundo Pacheco (ao que isto chegou!), o melhor é deixarmos lá ficar o Sócrates durante mais uns 48 anos, pelo menos…
    Até onde chega (e como cega…) o ressabiamento por não se ter sido convidado para as listas… Que vergonha ou, antes, que falta de vergonha!

    1. Todos têm o direito de criticar todos. Eu serei sempre o último a pôr em causa o direito à crítica: por mim, exerço-o abundantemente, como o demonstra a minha presença diária de quase seis anos na blogosfera. Assinalo apenas a diferença abissal existente nesta matéria entre os dois principais partidos: um, que funciona enquanto tal, mobilizado em torno de uma liderança que é contestadíssima em surdina mas em relação à qual quase não se detecta um vestígio público de contestação; o outro, em que diariamente vemos antigos presidentes, ex-secretários-gerais, antigos presidentes do grupo parlamentar, deputados ainda em funções ‘e tutti quanti’ a disparar contra o actual líder a pouco mais de um mês das legislativas. O PSD, no fundo, não é um partido – são três partidos amalgamados num só: sociais-democratas (poucos), liberais e conservadores-populistas. Isto leva a que uma liderança, qualquer liderança, tenha muito mais dificuldade em impor-se no clube laranja do que no clube rosa.

    2. Exceptuando o último mandato legislativo, em que teve Manuela Ferreira Leite como “protagonista” sendo conhecida a amizade militante que os une, JPP não tem por hábito ser presença habitual nos grupos parlamentares do PSD; por isso o seu argumento não cola.
      Tem toda a razão JPP com a apreciação que aqui faz relativamente ao vaticinio do quadro pós-eleitoral; só mesmo a intervenção de Cavaco Silva poderá conseguir que não se venha a verificar este cenário. O (este) PS tem necessariamente que fazer parte do arco governativo, independentemente do resultado do escrutínio. Assim consiga o mais alto magistrado da Nação fazer isso acontecer, partido-se também do princípio de que José Sócrates venha a pôr a sua “obstinação” de lado…

        1. Sim, mas já há bastante tempo.
          O Pedro Correia acha então que JPP está «ressabiado por não ter sido convidado para as listas…» e vai daí, começa a manifestar-se negativamente por escrito, contra a actual liderança do seu partido, tal qual um jovem militante promissor que pretende dar início à sua carreira política ou então, que precisa de ocupar o cargo de deputado para sobreviver!?
          Só um cego – ou a militância compulsiva – é que não quer ver que ter provocado a dissolução da Assembleia a meio do um mandato com “argumentos imberbes” (na medida em que agora vão “levar” com o Pec IV muito mais agravado), traduz um sinal de perfeita irresponsabilidade e falta de tino.
          É esta a leitura que podemos fazer a partir das últimas sondagens…

          1. Fernanda, não escrevi nada disso. As minhas críticas são sempre políticas, nunca pessoais. Jamais escrevi que JPP ou seja quem for anda ‘ressabiado’ com o que quer que seja. Essa não é a minha linguagem, nunca emito juízos desse género nem faço processos de intenções a esse nível. Como qualquer pessoa que acompanha há vários anos os meus textos nos blogues bem sabe.
            Escrevo sobre política – e sobre o modo correcto ou incorrecto de analisar a política, de acordo com a minha perspectiva. Na minha opinião JPP, uma vez mais, revela erros de análise. E não está isolado no PSD.
            Parece-me lamentável que ex-presidentes, ex-secretários-gerais, ex-líderes parlamentares em São Bento e no Parlamento Europeu e ex-dirigentes das principais distritais do partido façam de Passos Coelho o adversário principal a pouco mais de um mês de legislativas. No PS não encontramos nada de parecido com isto. Porque, no fundo, o PSD não é um partido como o PS mas uma amálgama de três ou quatro partidos artificialmente agregados num só.

          2. Ambos sabemos que essa expressão não é da sua autoria, o que não implica que pudesse eventualmente subscrever a ideia subjacente.
            Todas essas pessoas que evoca farão parte do arco político que passou a contestar Passos Coelho a pouco mais de um mês da nova eleição. Não me interessa a mim o timing, mas sim o grau de seriedade da critica. O mesmo passou-se no acto eleitoral que precedeu o do primeiro mandato de José Sócrates e ainda bem; todas essas pessoas estavam conscientes do descalabro que iria ser um governo chefiado por Santana Lopes… Não estou com isto a tentar estabelecer analogias entre cenários políticos, mas, quanto a mim, Passos Coelho foi precipitado e imaturo, desmonstrando ser altamente influenciável.
            Aliás, o resultado está à vista…!

          3. Penso que Pacheco deve orgulhar-se de ser defendido por alguém como a Fernanda, que detém um blogue onde os hossanas a Sócrates alternam com os insultos a Cavaco. Boa malha!

          4. Caro comentador Alberto Matos:

            Pela observação feita, deduzo que tenha unicamente lido os primeiros dois postes do meu blogue; ficou com uma ideia errada do meu perfil de comentadora…
            O que leu sobre «Cavaco» não são insultos, mas sim, constatações partilhadas por um grande número de cidadãos portugueses que com o seu voto o ajudaram a eleger.

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