Pela primeira vez, em séculos, nem uma saiu à “la calle“. La Carreteria não saiu às 16h. Também não veio a Soledad de S. Buenaventura, às 17.55. Nem El Cachorro. La O falhou. San Isidoro desconvocou à última hora. E Montserrat e a Sagrada Mortaja também ficaram entre muros. Houve quem lhe chamasse tragédia. Os prejuízos são grandes, dizem-me. Não tenho que contestá-los. Para mim, como sempre, valeu a celebração das 17h na Giralda. Sexta-feira de Paixão é ali. Com chuva ou sem chuva. Entregue à paz das colunas, à luz que emana dos cânticos, ao cheiro pesado do incenso. E quando ao sair me confronto com os azulejos fronteiros ao Café Alianza, sei que aquele não é o Cristo imenso de Rembrandt. Mas também não precisa de ser. O sofrimento não precisa de ser pintado por um mestre flamengo para ser real. E sentido. Até por isso tenho de dar graças a Deus.
Chove no meu peito, chove em Sevilha
Sérgio de Almeida Correia,


Bem conheço a Semana Santa em Sevilha, caro Sérgio. É uma cidade que gosto sempre de visitar em qualquer ocasião e particularmente nesta altura. Faz agora um ano, também pela Páscoa, estive em Palma de Maiorca, que recomendo igualmente. Inesquecível, a vários títulos. E também como cenário ímpar da celebração da dor e do júbilo que associamos sempre a esta quadra.
Sexta-feira de Paixão é em Sevilha, sem dúvida. É a Semana Santa mais impressionante a que já assisti, com os andores pesadíssimos, as flores, os “encapuzados”, as velas… e a Macarena, engalanada de jóias, a receber os arrepiantes cânticos improvisados das janelas por onde passa. Sevilha é sempre maravilhosa, mas nesta semana é muito especial.
Há muito tempo que lá não vou nesta altura.