Um dos aspectos mais graves nesta profunda crise política é a representatividade. As taxas altas de abstenção e a falta de ligação ao eleitorado costumam denunciar bem este problema: as pessoas não se revêem nos seus representantes, não acreditam neles, não confiam neles. O fenómeno é bem conhecido, e as soluções para o tentar resolver também (voto uninominal, voto preferencial, etc.). Mas falta outro factor: e que tal responsabilizar o eleitorado?
Confesso que não tenho muita paciência para o “eles são todos iguais”. Por trás deste pensamento, está uma apatia, uma preguiça, uma desresponsabilização total da cidadania. É que, se “eles são todos iguais”, então somos nós que nos pomos de parte, ao definir este “eles” contra um “nós”. Se eles são mesmo todos iguais, porque é que não tentamos mudar? Porque é que as taxas de inscrição nos partidos descem, permitindo a ascensão dos medíocres e oportunistas (eles, eles)? Se os partidos velhos são corruptos e todos iguais, porque não apoiamos os novos? Se calhar, porque ser treinador de bancada é muito mais fácil. Se calhar, porque a participação pública exige algum trabalho, algum comprometimento com a realidade. E se calhar, só se calhar, porque é tão mais fácil dizer que eles são todos iguais, e mudar de canal para um qualquer programa de talentos.

Concordo totalmente consigo, Margarida.
Ainda ontem, entre colegas, referia este tema – o da apatia cívica. Curiosamente, muitos não conseguem perceber, ou não querem, que é exactamente esta falta de interesse, de participação, que nos levou a este estado de sítio actual. Os políticos são o nosso reflexo, nada mais do que isso.
Exactamente. E esse apatia é depois revestida de um cinismo extremo, que ainda piora a coisa.
Acerta na mouche cara Ana.
No meu grupo de amigos só dois estamos filiados em partidos (do centrão), pelo que é frustrante quando nos cruzamos o desprezo que todos os outros dão à política. Todos falam, todos acusam, todos dão a sua opinião, mas a sua contribuição fica-se por aí, pois participar de forma activa não que dá muito trabalho.
Realmente é melhor passar os tempos livres a ver programas de talentos ou a fazer turismo. A realidade dói muito mais e é uma maçada e assim a desresponsabilização surge em todo o seu esplendor, os outros que façam, os outros que decidam, mas já nem se vota, porque final sao todos iguais…
Enquanto o povo português não tomar consciência das suas responsabilidades pelo destino do país não avançaremos e nenhum político servirá os propósitos do bem comum.
Porque lá está: os políticos são eles, nós somos seres límpidos e puros que não sujam as mãos.
Esta é a verdade e é a verdade que todos querem colocar de lado.
Excelente post. Ainda no dia do protesto Geração à Rasca confrontei vários jovens da minha idade ou similar, tenho 23 anos, que mais do que reclamar é preciso fazer algo para mudar. Não é a não ir votar e a reclamar quando se lembram que as coisas estão mal que mudaremos, mas sim intervindo. Mas lá está, as opiniões que recebi são as aqui descritas, só lá chega acima quem tem amigos e é corrupto, é impossível mudar isto, não vale a pena…..
Começa a ser desesperante ver o desleixo que a minha geração tem pela intervenção cívica e pela luta pela mudança para bem do seu próprio país!