O ruído de fundo do banal, do acessório e do efémero, parece distrair-nos da reflexão fundamental sobre uma virtude que hoje se usa quase com vergonha: o patriotismo.
Que sentido fará este conceito no século XXI?
O meu conceito é simples: é ter orgulho em ser português em Portugal.
Assumir publicamente, como cidadãos livres e independentes, uma escolha.
A escolha de um futuro, num tempo em que ele surge, na imaginação do nosso povo, como sombrio e incerto.
A esperança só é robusta quando surge da construção solidária de um povo, na conjunção de todas as áreas de intervenção.
Pelo contrário, o desalento é uma profecia que automaticamente se cumpre.
(João Lobo Antunes, 27/10/2005)


“A esperança só é robusta quando surge da construção solidária de um povo”. Pois é. Mas a construção do povo português, de momento, é tudo menos anti-sísmica. Temo o pior para a esperança.