Ana Gomes interrompeu as ladainhas próprias de uma missa de acção de graças para fazer aquela que foi, de longe, a melhor intervenção escutada no palco de Matosinhos. “É preciso que o PS reconheça com humildade que nem sempre tudo foram rosas na governação e que nem sempre a rosa cheirou muito bem. O PS também cometeu erros e assumi-los será meio caminho andado para corrigi-los”, disse sem papas na língua a eurodeputada socialista, a única que recusou prestar tributo incondicional ao secretário-geral do partido num congresso formatado para o culto da personalidade ao político que mais contribuiu para desmantelar o nosso estado social e para diminuir os direitos sociais dos portugueses.
Sintomaticamente, falou para uma sala vazia. Este PS convive mal com o debate interno e faz tudo para ignorar as vozes críticas.


Esta senhora devia-se candidatar a secretária-geral, mas o problema é a sua honestidade que não cai bem nos senhores do partido.
É, de momento, a consciência crítica do PS. O que tem hoje mais valor do que o cargo de secretário-geral.
É sem dúvida uma excepção.
Sem dúvida.
Não ouvi a intervenção da Sra. até porque me falta, desde criança, paciência para espectáculos de circo. Mas nem ela nem nenhum dos eternos ditos críticos,Vitorinos,Seguros e o eterno não calável Alegre, realmente tiveram a coragem de dizer claramente não ao aldrabão que capitaneia o clube. Pelo contrário, lá foram, mais o inefável Ferro, beijar a mão do Zézito, já que ele ainda é o “dono” do saquito de rebuçados…
E assim, em Matosinhos, o circensis continua…já não se vislumbra é restea de panem …
Ninguém quis verdadeiramente estragar este fim de festa. Mas Ana Gomes teve uma intervenção vibrante e corajosa, que a organização do congresso, ardilosamente, reservou para uma hora em que praticamente não havia ninguém na sala.
É notória a necessidade desta militante socialista, em se alimentar de palcos de altos níveis de mediatização que lhe proporcionem ir mantendo o seu perfil de critica fácil e gratuita (gratuita porque a maior parte dos seus “desabafos” não são fundamentados com provas conclusivas e/ou irrefutáveis, como no caso do processo sobre os voos da CIA, por exemplo), em torno de cenários políticos em que a figura da litigância de má-fé constitui o tema central da inter-relação entre partidos.
Este quadro da mais ampla unanimidade à volta de José Sócrates, caiu que nem mosca no mel à eurodeputada Ana Gomes…
“Toda a unanimidade é burra”, dizia Nelson Rodrigues. Cheio de razão.