Cada vez somos menos auto-suficientes e mais dependentes do que vem de fora. Agora até importamos óvulos e (pasme-se!) espermatozóides (por falta de produção, supõe-se). Ao que nós chegámos. Que coisa.
Ao que nós chegámos
jmmcc,
Cada vez somos menos auto-suficientes e mais dependentes do que vem de fora. Agora até importamos óvulos e (pasme-se!) espermatozóides (por falta de produção, supõe-se). Ao que nós chegámos. Que coisa.
Creio que é a isto que se chama o problema dos bens transaccionáveis na economia portuguesa.
Deve ser. E não é coisa pouca…
Esta manhã, dei-me ao trabalho de ir à Câmara de Lisboa, no Largo do Município, ver a exposição que ali está, integrada nas comemorações do centenário da república e dedicada ao humor.
Trata-se de uma coisa esquálida, sem um mínimo de imaginação, que se limita a exibir umas dezenas de fotocópias de jornais e revistas, acompanhadas de uns textos dignos de figurar entre as redacções da 4ª classe do tempo em que a escola ensinava a escrever.
Mas o mais grave nem é isso: para os responsáveis da exposição, a república morreu em 1926. Depois disso, pelos vistos, estamos a viver em monarquia.
Os ditos “responsáves” são o presidente António Costa e a vereadora da cultura (!) Catarina Vaz Pinto, sendo que as redacções pertencem ao “historiador” e grão-mestre de Maçonaria, o ex-seminarista António Reis.
Estamos, portanto, conversados.
Há quem ache que o Estado Novo, a partir da Constituição de 1933, não foi bem uma República.
Há quem ache que a “não-República” foi desde 1926.
Há quem ache que uma exposição sobre a República na Casa em que ela foi proclamada devia ter dignidade.
Concordo com estes últimos.
Mas parece que a República nasceu torta e tarde ou nunca se endireitará…
O problema não está só em achar que o Estado Novo não foi república.
Está em considerar que, pelos vistos, entre 1974 e a actualidade, igualmente o não foi.
Como entender de outro modo a clamorosa omissão?
Afinal, está-se a comemorar o Centenário da República ou os 16 anos de caótica (e não raro sangrenta) I República?
É um bom ponto de vista.
Não esquecer que na I República houve também duas ditaduras: a de Pimenta de Castro (em 1915) e a de Sidónio Pais (em 1917-18). Este “pormenor” costuma ser esquecido pelos propagandistas dessa época. E até por muitos outros. Ao comemorar-se cem anos de república, “comemoram-se” 50 anos de ditadura.
Vejamos isto pelo lado positivo: de acordo com a notícia citada «toda a gente sabe que há óvulos importados em Portugal em diversas clínicas privadas por exemplo do Norte da Europa, da Escandinávia ou de Países de Leste.» A ser verdade isto, até será uma boa notícia, uma vez que os frutos da mercadoria nacional não têm sido dos melhores, como está bem à vista de todos. Venham então eles, portugueses lourinhos, de olhos muito azuis e com melhores cabeças, porque não? Esta Europa sem fronteiras algum dia há-de começar a ter razão de ser!…
Porém, a coisa não está a resultar. Será que são óvulos de menopausa e espermatozóides de andropausa? Estaremos a ser enganados?