Pressionado pela comunidade internacional, e sob a mediação da Igreja Católica, o Governo cubano libertou 52 presos políticos que estavam detidos desde a ‘Primavera negra’ de 2003. O Avante!, mais papista que o Papa, aproveitou a ocasião para insultar esses cidadãos cubanos que conheceram os cárceres da ditadura castrista. Chama-lhes “mercenários”, que foram “pagos a peso de ouro pelos EUA”. E garante aos seus leitores que não são presos de consciência, como diz a Amnistia Internacional: são pessoas que “receberam de países estrangeiros (os EUA) fundos e materiais para conspirar contra o Estado cubano”.
Com este fraseado e esta terminologia, o jornal oficial do PCP desacredita a própria luta dos seus militantes contra a ditadura salazarista. O Diário da Manhã é que costumava transformar os presos de consciência em “mercenários” ao serviço do estrangeiro, negando os relatórios de organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional. Muitos comunistas portugueses certamente coram de vergonha ao lerem hoje o Avante!.

Não podem é corar perto do Comité Central. Nem do lateral.
O Comité Central já é corado por natureza. Ou não fosse vermelho.
Quando lhes chama “mais papistas que o Papa”, de que Papa está a falar? Do Jerónimo? Mas quem lhe disse que é possível qualquer conteúdo do órgão oficial do partido que não esteja em sintonia com o “pensamento” do secretário-geral?
Não estava a pensar no secretário-geral do PCP. Estava a pensar no ‘Granma’.
Nem mais.
No entanto, a tomada de posição do PCP é tudo menos estranha. Na verdade já deveríamos estar habituados a este tipo de anacronismos num partido vítima do sindicalismo absolutista dos seus próprios funcionários, incapazes de ver – ou compreender – para além do seu emprego. O PCP será pois comparável ao carvoeiro que só sabe de carvão e dos tempos em que era assim. Hoje, é o único, e talvez demasiado, para os poucos que ainda funcionam a carvão.
O comunismo será talvez o melhor sonho da humanidade. Pena é que, de cada vez que foi passado a realidade, se tenha invariavelmente degenerado e transformado no pior pesadelo de milhões.
O PCP só admite a existência de presos políticos quando se trata de comunistas. Quando são pessoas de outras ideologias é tudo uma cambada de malandros ou de criminosos. Isto é execrável.