Os críticos que odeiam cinema


Pedro Correia,

 

Um dos melhores filmes em cartaz neste momento é Revolutionary Road, de Sam Mendes, com um papel fabuloso de Kate Winslet. Basta o impressionante desempenho desta actriz para justificar a deslocação ao cinema. Acreditem: é um daqueles papéis que nos fazem crer na superioridade da arte de representar. À medida que a acção se desenrola e que a protagonista feminina (interpretada por Winslet) evolui com ela, vemos essa transformação estampada no rosto progressivamente dolorido desta actriz transbordante de talento, candidata a um dos Óscares mais merecidos dos últimos decénios. Pois folheio o Expresso – e o que leio? Um tal Francisco Ferreira, "crítico" de cinema, lá concede duas estrelas ao filme, que o terá feito bocejar, rematando assim a prosa com que nos brinda: "Não fossem os actores, ‘Revolutionary Road’ não seria muito mais do que um telefilme, competente e sem interesse."

Espantosa frase. Como se a qualidade dos actores fosse um pormenor de somenos. Como se assistir a um desempenho magnífico, como este de Kate Winslet, não fizesse toda a diferença. Como se a representação não fosse vital num filme – em qualquer filme.

Anda assim, envolta nesta confrangedora pobreza argumentativa e neste desamor pela Sétima Arte, a crítica de cinema em Portugal.

11 comentários em “Os críticos que odeiam cinema”

  1. É sempre mau quando ao invés do jogo falamos do árbitro. Neste caso, o crítico é apenas um elemento externo ao espectáculo que ganha umas massas a falar sobre o mesmo. Vou achar sempre preferível falar de filmes embora, há que o reconhecer, às vezes seja bem difícil aceitar certas opiniões. Mas que fazer!?

    Se quiser dar-se ao trabalho, deixo-lhe aqui a prova do que afirmo:

    http://cartoriomental.blogspot.com/2008/05/susceptibilidades.html

    Cumprimentos.

    1. Meu caro, já li e recomendo o seu blogue, que deu entrada aqui na nossa barra lateral.
      Do ‘jogo’ tenho falado bastante, aqui e não só. Mas nestes últimos dois dias interessou-me sobretudo falar do ‘árbitro’. Porque já não há paciência para determinada ‘crítica’ que se pratica em Portugal.

  2. Pedro, desta vez tenho que discordar. Faz a diferença, sim, mas não chega. Contudo, e de uma forma geral, com seu último parágrafo concordo em pleno.

    1. Não chega, por vezes. Mas nunca é um pormenor de somenos, Mike. Quantas vezes grandes actores não transformaram já em obras-primas filmes que poderiam ser só medianos?

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