Quem disse que a selecção portuguesa é Cristiano Ronaldo e mais dez? O jogo de hoje na Cidade do Cabo, sob uma chuva copiosa, demonstrou precisamente o contrário: Portugal reeditou hoje, ampliando-a, a façanha cometida no Mundial de 1966 contra a Coreia do Norte, em que vencemos por 5-3. Com a vantagem óbvia de os números terem sido desta vez bem mais dilatados: sete a zero. Tiago marcou dois golos. Os restantes foram marcados por Raul Meireles, Simão Sabrosa, Hugo Almeida, Liedson e Cristiano Ronaldo.
Carlos Queiroz fez quatro mudanças na equipa em relação ao jogo do dia 15 contra a Costa do Marfim. E este onze titular foi incomparavelmente melhor, com Miguel, Tiago, Simão e Hugo Almeida nos lugares de Paulo Ferreira, Deco, Danny e Liedson. Aposta ganha do seleccionador: tivemos uma verdadeira selecção, ao contrário do que sucedera no jogo anterior.
Foi a maior goleada deste Mundial. E a nossa maior goleada de todos os tempos numa fase final do Campeonato do Mundo de Futebol. Verdadeiramente inesquecível, a segunda parte – em que foram marcados seis golos, três dos quais nuns alucinantes sete minutos. Para lembrar a partir de agora. Sempre.
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Os jogadores portugueses, um a um:
Eduardo – Uma vez mais mais, muito seguro na baliza. Nunca teve muito trabalho, mas deu sempre tranquilidade e segurança à equipa. Boas defesas aos 17′, 50′ e 79′.
Miguel – Muito mais ousado em lances ofensivos do que Paulo Ferreira, anterior defesa direito no jogo contra a Costa do Marfim. Boa actuação.
Ricardo Carvalho – Foi dele que partiram os primeiros sinais de perigo por parte dos portugueses. Conduziu muito bem um ataque aos 3′. E rematou ao poste aos 6′. Excelente início de jogo, a marcar o estilo e o ritmo de toda a equipa. Manteve-se em bom nível até ao fim.
Bruno Alves – Sólido e seguro.
Fábio Coentrão – Uma das melhores exibições portuguesas. Dominou todo o corredor esquerdo. Iniciou vários lances de ataque no seu sector, com grandes cruzamentos, o melhor dos quais foi aos 55′, para o golo de Hugo Almeida. É o benjamim da equipa, mas ninguém diria ao vê-lo jogar tão bem.
Pedro Mendes – Exibição discreta. Fez uma falta escusada à entrada da grande área portuguesa que lhe valeu um cartão amarelo.
Tiago – Rendeu Deco neste jogo. E foi quanto bastou para o nível de exibição portuguesa aumentar substancialmente. Esta foi uma das grandes partidas da carreira de Tiago, autor de dois golos – o quarto e o sétimo da selecção, aos 59′ e 88′.
Raul Meireles – Um dos mais combativos jogadores portugueses. Autor do primeiro golo, o único da metade inicial do jogo, aos 28′. Fez o passe para o segundo golo, aos 52′. Deu lugar a Miguel Veloso quando já tinha cumprido exemplarmente a sua missão.
Cristiano Ronaldo – Finalmente, aos fim de 17 meses, um golo na selecção. Fez por merecê-lo num jogo em que se integrou mais no trabalho da equipa do que tem vindo a ser habitual. Muito marcado pelos norte-coreanos, tinha habitualmente três adversários a tentar travá-lo cada vez que tocava na bola. Voltou a rematar à barra (aos 70′), o que começa a tornar-se tradição.
Simão Sabrosa – Experiente, com excelente leitura de jogo. Os cantos continuam a não sair-lhe tão bem como já mostrou ser capaz. Rendeu com vantagem Danny, que fizera uma exibição desastrosa no desafio contra a Costa do Marfim. Marcou o segundo golo, aos 52′. Substituído por Duda.
Hugo Almeida – Titular na frente do ataque, no lugar antes ocupado por Liedson. E cumpriu, marcando o terceiro golo português, aos 55′. Acabou por ser substituído pelo próprio Liedson. Deve continuar a ser titular contra o Brasil, embora tenha recebido um cartão amarelo por protestar contra o árbitro (69′).
Miguel Veloso – Mereceu a chamada ao jogo para o lugar de Raul Meireles (69′). Fez um bom remate aos 86′.
Duda – Substituiu Simão, dando ainda mais velocidade ao ataque português.
Liedson – Entrou para o lugar de Hugo Almeida. E marcou logo a seguir o quinto golo (80′).


Ganda jogo, estou rouca……….!
Também eu. Ainda quero ver aquele comentador que dizia que entre os portugueses só Cristiano Ronaldo tinha lugar na selecção espanhola engolir estas palavras, letra a letra.
O Ronaldo pode não ter marcado o melhor golo do Mundial até agora, mas terá certamente marcado o mais divertido.
Muito bom jogo, apesar de algumas perdas de bola um bocado infantis. A ver se conseguimos manter o ritmo com o Brasil.
As condolências ao camarada Bernardino Soares..!
Ehheh. Bem lembrado, João. Deve estar macambúzio…
Estiveram bem e as mudanças efectuadas pelo jogador revelaram-se “mágicas”. Uma outra selecção, com vontade de vencer e com um jogo aberto e ousado.
E é claro que a selecção não é o CR e mais onze… Aliás, esse tem vindo a ser um raciocínio recorrente que em nada tem contribuído para a criação da almejada sinergia no seio da selecção.
Apenas uma rectificação:
Pelo seleccionador! Claro…
Queiroz esteve bem. Deco meteu a viola no saco: Não haverá Anelkas na selecção portuguesa.
Meteu pois. Mas nem a deveria ter tirado; uma falha de ambos, um que não se impôs pela via da disciplina e outro que não soube ocupar de forma profissional o seu lugar.
É assim na vida em geral e foi assim no futebol, que é feito de homens também.
Efectivamente foi um jogo memorável, por agora está tudo eufórico, mas é preciso não perder a cabeça. Quando Portugal joga em equipa e não para brilhantismos individuais, o rendimento sobe exponencialmente.
Esta vitória teve ainda mais mérito pelo facto de Portugal ter anulado por completo a selecção norte-coreana, que chegou a pôr em sentido o ‘escrete canarinho’ em várias fases do jogo Brasil-Coreia do Norte.
Foi na verdade um belo jogo, cujo resultado final, muito dilatado, se ficou a dever, em minha opinião, talvez um pouco mais à desorientação e abaixamento do moral da Coreia a partir do 3º golo de Portugal, do que propriamente a uma imensa superioridade da nossa equipa sobre a adversária, que o 7-0 parece querer apontar. De qualquer modo, um óptimo jogo e uma bela e merecida vitória para a nossa selecção que nos dá alento para encararmos, agora, o Brasil com outro à-vontade.
A selecção portuguesa de hoje venceria sem problema a do Brasil que jogou contra a Coreia do Norte e contra a Costa do Marfim. Desde que o Fabiano não ponha a mão na bola perante um árbitro ‘ceguinho’, como aconteceu no jogo de ontem contra a Costa do Marfim.
Não acho que Pedro Mendes tenha tido uma exibição discreta. Melhor, teve, mas importante. Na segunda parte valeu o recuo dele para dar cobertura à subida dos laterais e foi aí que esteve a chave do jogo. Pedro Mendes não é excepcional, mas neste caso deu a segurança a Coentrão e a Miguel que estes necessitavam.
Tiago foi, para mim, o melhor jogador. Os passes procuraram constantemente abrir a defesa coreana e acelerava o jogo sempre que possível. Os dois golos foram bem merecidos.
Ronaldo esteve bem a partir do momento em que a defesa coreana se partiu em bocadinhos. Na primeira parte quase gritei com o ecrã por causa do hábito constante de o ver flectir para o centro e, quando Coentrão avançava para o espaço no flanco, decidia inventar um drible ou um remate sem nexo. E ainda não me convenço com aqueles passes em habilidade para o colega que está a dois metros, sem oposição e sem que a habilidade mude seja o que for.
Não é forçosamente mau que um médio defensivo tenha uma exibição discreta, João. Interesa é que seja eficaz. A leitura do jogo que aqui nos deixou está correcta, nada a objectar. Mas falta acrescentar que o Coentrão avançou no flanco devido, em grande parte, à debilidade do jogo ofensivo da Coreia do Norte, que raras vezes aproveitou os extremos. O mesmo sucedeu com o Miguel no lado direito, embora este tenha estado menos bem do que o Coentrão. Como refiro, o Pedro Mendes recebeu um cartão amarelo perfeitamente escusado. Não havia necessidade…
Caro Pedro, entendi por exibição discreta que Pedro Mendes teria jogado menos bem. Se não era essa a intenção, então concordo. Uma exibição discreta e segura mas tacticamente exemplar é o óptimo para um médio defensivo. Realmente o cartão amarelo foi escusado. E o de Hugo Almeida ainda mais.
Pedro, a Coreia não aproveitou os extremos porque não os tem. Tem uma equipa baseada em 5-3-2 (ou 3-5-2 em fase ofensiva) com avançados que descaem para as alas de forma a fugir às marcações. A largura e o ataque pelas alas vinha dos laterais ofensivos (os ingleses chamam-lhes wingbacks), o que significa que não tinham cobertura quando subiam. Foi isto que Portugal aproveitou de forma sublime (especialmente com Coentrão, que é o melhor português a cruzar).
Há uma questão fundamental quando se fala na defesa com três centrais: se se joga em 5-3-2 (ou 3-5-2 no ataque) ou se se joga em 3-4-3 (ou 5-4-1 na defesa). A diferença é precisamente a existência no segundo caso de extremos que coloquem uma ameaça aos laterais adversários e que os impede de subirem no terreno, sob pena de causarem desequilíbrios na defesa. A título comparativo, olhe-se para o Chile, que joga no segundo sistema. Muito mais equilibrado e não é só pela qualidade dos jogadores.
Não pude ver o jogo. Fui ouvindo o barulho que, ao longe, pessoas a assistirem ao jogo faziam. Perdi a conta aos “barulhos”, concentrada que tinha de estar, no que estava a fazer. Depois de um pequeno intervalo na minha tarefa, foi com sorrisos de orelha a orelha que eu e os meus colegas recomeçamos.
Oh p´ra mim
:)))))))))
Este jogo deu imenso gozo. Aconteça o que acontecer, é um gozo que já ninguém nos tira. Adeus, 5-3 de 1966. Agora temos os 7-0 de 2010.
E o medo dos Coreanos que o Eusébio jogasse ? Não conta ? Ele estava lá ! Os Coreanos viram-no.
Felizmente hoje o Eusébio não fez falta em campo.
Numa tarde com chuva de golos…
Foram golos abundantes
que não paravam de somar
em jogadas trucidantes
que me ajudam a rimar.
Nesse relvado molhado
pela chuva incessante,
um futebol antolhado
foi realmente possante.
Assim a rima até sai mais ligeira, caro Manuel!