Uma democrática cabazada


eventhorizon,

O país parou pela segunda vez em oito dias, isto partindo do princípio de que Portugal alguma vez se mexe para algum lugar, ou com algum propósito. Mas para não estragar o texto logo na primeira frase, vou manter: o país parou hoje, e desta vez houve sete boas razões para parar. Sete zero aos norte-coreanos, que queriam vingar a afronta de 1966 e acabaram por levar uma muito democrática cabazada, pois deu para todos provarem a sopa, desde a estrela Cristiano Ronaldo ao cepo Hugo Almeida. Só lamento desta vez não ter feito qualquer aposta. Passo a explicar: há uns anos, Portugal empatou a dois golos com o Liechtenstein, país que nem os próprios liechtensteinenses (?) devem saber bem onde fica, e cuja existência tem como único propósito ser a rasteira da pergunta do Quem Quer Ser Milionário? (ou do Trivial Pursuit, depende de termos ou não o Jorge Gabriel) “com quantos países faz fronteira a Suíça?” Enfim, empate a dois, um resultado vergonhoso que os irredutíveis do mister Scolari não gostam de ver lembrado, pois é sabido que menos de cinco a zero ao Liechtenstein é derrota. Pouco tempo depois, a selecção foi jogar com a Rússia, e nessa noite estava eu a jantar com os colegas da associação de estudantes da universidade ali para os lados da Expo, com o jogo a passar num bom écrã gigante e a sangria a chegar à mesa em quantidade assinalável. Com as expectativas muito baixas – vínhamos de um empate com o Liechtenstein, mais uma vez, desculpem continuar a pisar -, o dono do restaurante decidiu oferecer-nos um jarro de sangria extra por cada golo que os portugueses marcassem. O resultado final foi um sete a um para os portugueses, com um prejuízo de oitenta e quatro euros para o restaurante – a aposta foi paga golo a golo – e com uma clara redução da nossa capacidade de nos mantermos sóbrios. Se eu soubesse, tinha hoje proposto um negócio do género no restaurante onde vi o jogo enquanto almoçava, algo do género: uma imperial por cada golo. Ficava melhor uma mini, bem sei, mas – desculpem qualquer coisinha – a mini não é instituição lisboeta. Não sei é se vale a pena arriscar algo do género para o jogo com o Brasil, já que toda a gente nos dá como derrotados antes mesmo de o jogo começar; mas se o jogo for futebol, e não andebol, e se o Queiroz não inventar muito (como hoje não inventou), talvez a coisa nem corra assim tão mal.

15 comentários em “Uma democrática cabazada”

  1. Sabes, John? Estou a ficar preocupado com isto de Portugal já ter parado duas vezes em oito dias. Hoje, que é segunda-feira, a coisa safou-se, mas não te parece que o grupo parlamentar do PS devia aproveitar o plano dos feriados e passar os jogos que calhassem a meio da semana para sexta-feira ou segunda-feira seguinte?

      1. Pois, eu também, ainda a rir com seu belíssimo post , João Campos e com o comentário do João…:))
        A sério, João Campos, gostei muito do seu texto. Eu de “Mundial” estou mais ou menos a zero, sem minis nem sangria.:))

          1. Tem toda a razão, João Campos, e, eu bem preciso…Vou já tomar o seu conselho, ups, uma sangria.;))

  2. Estou preocupado com os coreanos.
    O que é que o querido líder lhes fárá?
    Etou a imaginar um castigo arrepiante – obrigá-los a usar um pentado e uns óculos iguais aos dele.

  3. O Liechtenstein é país conhecido fora do Trivial, acredite. É dos mais ricos do mundo (se não o mais rico em termos de rendimento per capita – talvez, por isso por cá se fale pouco – e tem como princípe reinante um trineto de D. João VI, próximo parente do Duque de Bragança.

    1. Bem sei. É um território pouco maior do que a minha freguesia, bem aconchegado nos Alpes, entre a Suíça e a Áustria. Mas nem os suíços sabem muito bem onde fica. Veja lá: ao que parece, até já o invadiram por engano!

  4. Este triste Brasil, que não conseguiu melhor do que 2-1 contra a Coreia do Norte e marcou um golo “à andebol” contra a Costa do Marfim (com o árbitro a assobiar para o lado), está bem ao alcance da selecção portuguesa que hoje cilindrou os súbditos do Kim Jong-il. Vale a pena fazeres uma aposta. Com caipirinhas.

  5. Pois ! Têm todos razão. Mais uma vez não sou funcionário, pude sair ao meio-dia para ver o jogo, entrei as 14,30 depois do jogo acabado e em vez de sair as 17,30, saí às 20h. Por 1h, paguei 2,5h . E foi se quis ver o jogo. Com o Brasil vou meter um dia de férias……..se autorizarem. Privado é assim. Queres paga !

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