Não há coincidências (episódio piloto)


Ana Vidal,

 

 

 

A partir de amanhã, e com uma cadência bi-semanal, haverá mais uma série no Delito (estamos a fazer uma séria concorrência à BBC… os ingleses que se acautelem!). Decidi chamar-lhe “Não há coincidências” e tratará de plágios e semelhanças, voluntárias ou não. Não, não passarão por aqui os casos polémicos de Miguel Sousa Tavares ou de Clara Pinto Correia, para citar só dois exemplos nacionais de alegados plágios literários. Vou cingir-me à música, embora, com este título, eu comece já por plagiar o de um livro de Margarida Rebelo Pinto (ela própria em tempos acusada de auto-plágio, o que é, convenhamos, um “crime” muito menos condenável).

 

Confuso? Eu explico. Ou melhor: vou ilustrar cada caso, com a ajuda do abençoado Youtube, pedindo aos vossos doutos ouvidos um veredicto. Começarei pelos chamados compositores clássicos (estou consciente da enorme latitude do termo), os mais plagiados e os mais plagiáveis, por razões óbvias: as suas obras pertencem há muito ao domínio público (não há risco, portanto, de processos judiciais envolvendo direitos de autor) e são conhecidas por um público mais limitado (logo, são menos identificáveis) embora constituam, mesmo assim, uma espécie de matriz musical gravada no subconsciente colectivo ocidental. Acredito que a existência dessa memória inconsciente possa justificar a não intencionalidade em alguns dos casos em que as semelhanças são mais subtis, ainda que já me custe a crer que um músico não acabe por identificá-las, mais cedo ou mais tarde. Noutros casos, contudo, a sequência de notas é tão óbvia que se torna impossível acreditar na inocência de quem a “decalcou”.

 

Os plágios entre músicas contemporâneas são menos comuns, embora também os haja. Alguns deles são bem conhecidos, acabando em “peixeiradas” mediáticas ou em batalhas judiciais que deixam em maus lençóis os plagiadores. Mas no melhor pano cai a nódoa. São muitos os músicos consagrados que caem na tentação de usar composições de outros, não só porque são boas como porque representam receitas de sucesso garantidas, por já estarem “no ouvido” das pessoas. Alguns citam a fonte, explicando que “se inspiraram” ou “interpretaram à sua maneira” a obra original. Outros (e são muitos) nem isso fazem, talvez na ingénua esperança de que ninguém dê por isso. Por aqui passarão uns e outros, deixando à vossa consideração distingui-los.

 

Agradeço todos os contributos que quiserem dar a esta série (se possível indicando o link para o “delito” sugerido). Todas as ajudas serão identificadas, naturalmente.

12 comentários em “Não há coincidências (episódio piloto)”

  1. Esta série promete, Ana. Muito bem. Avanço já uma sugestão: “All By Myself”, de Eric Carmen, plágio descarado de um dos andamentos do concerto nº 2 para piano de Rachmaninoff.

    1. Acertaste em cheio no primeiro post, Pedro! Vou começar pelos plágios mais óbvios (esse que citas é talvez o caso mais conhecido), para ir habituando os ouvidos dos nossos leitores e preparando-os para os menos evidentes que virão depois.

  2. Estou interessadíssimo. A minha primeira dica, se te for útil, vai para uma banda ligeira talvez dos anos 70. Tenho de me recordar do nome deles e do título da canção (será Daydream?), que começa com O Lago dos Cisnes.

  3. Gosto!… excelente ideia. Tiro-te o chapéu, Ana. É que a roda foi inventada há muito tempo. Serei um leitor atento. Parabéns!

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