Manuela Ferreira Leite teve hoje um gesto institucional que merece elogio: deslocou-se à sessão de encerramento do congresso para escutar o discurso do militante que lhe sucede na presidência do PSD. Por sinal, o mesmo militante que em Agosto de 2009 ela decidiu excluir das listas eleitorais do partido: embora indicado pelas bases de Vila Real, Pedro Passos Coelho não teve direito a figurar entre os candidatos a deputados por vontade expressa de Ferreira Leite e de alguns dos seus principais conselheiros, com o aplauso imediato de certos comentadores que hoje já se apressam a elogiar o novo líder. Passos foi então excluído, tal como Miguel Relvas, o novo secretário-geral dos sociais-democratas, que as bases de Santarém queriam ver como parlamentar pelo distrito.
Sentada – certamente não por acaso – ao lado do chefe da Casa Civil de Belém, Nunes Liberato, Ferreira Leite certamente teve oportunidade de reflectir nos caprichos do destino: bastaram oito meses para muita coisa mudar – e alguns protagonistas também. Quem foi excluído está agora na primeira linha do comando, embora com a noção clara de que nenhum poder é absoluto. “Não sou dono do PSD”, disse o novo líder no seu discurso. Com Manuela a escutar. E talvez a meditar.
Passaram apenas oito meses. Tão pouco tempo – e quase uma eternidade em política. Como daqui a oito meses se verá.
Também publicado aqui.

“Não sou dono do PSD”
claro que não…é o seu “dono”, Ângelo Correia!
Hoje demorou muito tempo a chegar à caixa de comentários, Tric. Isso preocupa-me. Anda a perder reflexos.
fiquei inebriado com o discurso do novo menino de ouro…o Socrates foi bem clonado! agora a comunicação social faz o resto…
Julguei que tinha esta no congresso. Na SIC-N.
O Tric ficou tão “inebriado” que nem apareceu no congresso.
Viu tudo na SIC-N.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Neste caso, as vontades estão, com certeza, relacionadas com os respectivos protagonistas. Esperemos que correspondam, em grande parte, às expectativas geradas e por concretizar.
É paradoxal essa noção de “eternidade” nestes tempos tão vorazes, reflectindo a diversa percepção da dinâmica do tempo na humanidade, e que o génio de Dalí tão bem retratou nos relógios moles.
E mudam-se as casacas, Gonçalo. Tanta casaca que tenho visto mudar de há dois dias para cá, sobretudo ao nível do “comentário político”.
aquele agradecimento de Passos Correia a Manuela Ferreira Leite disse muita coisa nas entrelinhas.
A sério? Não sei se o Pedro Coelho vai gostar de saber isso.
Caro João,
não faz mal se ele sabe ou não.
Como V. lhe chamou Passos Correia…
Passos Correia é um síntese de Passos Coelho e Ângelo Correia. O Daniel é um brincalhão. Pela mesma lógica deveríamos chamar Manuela Pereira Leite à anterior líder do PSD – híbrido de Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira?
lapso de alguém cansado.
Mesmo assim, teve alguma graça.
KALUVotação: +2
Um discurso sem sumo e sem subtância a provar que o rapaz não tem uma ideia para o país que é o mesmo que dizer que ele é imcompetente. Falar em baixar ordenados só pode ser uma ideia de um MALUQUINHO, por que o que é necessário e baixar o número de deputados que só servem para agravar o défice. A única ideia brilhante do discurso foi aquela que referiu de regar todos os dias a unidade do partido.Olha lá então com um inverno tão chuvoso é necessário mais água? Para mim o rapaz começa já a meter água e por isso estamos esclarecidos
Típica manifestação de mau perder. Nota na capacidade de destilar ódio: 20. Nota na argumentação política: zero.
Diria que registo com apreço o gesto de MFL. Mas, ao contrário do Pedro, não entendo que seja motivo para elogiar. Entendo que fez o que devia fazer. (Há mínimos olímpicos… apesar de, nos dias que correm…)
O problema, caro Mike, é que nos dias que correm, na política portuguesa, raras vezes os mínimos são cumpridos. Desta vez aconteceu. Ainda bem.