O ano passado foi com um concurso para inspectores no âmbito do Ministério do Trabalho e da Segurança Social.
Este ano é com o concurso para a magistratura que está a decorrer.
O Centro de Estudos Judiciários (CEJ) publicou dois avisos no DR, II série, de 9 de Março, o 4869/2010 e o 4870/2010, a dar conta da abertura de concursos para a magistratura. Até aqui tudo normal. O problema surge quando se lê que os documentos de candidatura terão de ser enviados por correio registado ou entregues pessoalmente em Lisboa, no Porto ou em Coimbra.
Numa altura em que os magistrados são obrigados a trabalhar com o Citius e com o Sitaf, em que temos cartão do cidadão e passaporte electrónico, em que a maior parte das peças processuais dos advogados são enviadas por correio electrónico, em que há sistemas como o MDDE que atestam o envio de documentos, quando se pretende desmaterializar os processos, reduzir a carga burocrática, e em que até está a decorrer, em simultâneo, um concurso para as instituições europeiasque impõe que as inscrições se façam por via electrónica, é absolutamente inexplicável que instituições com o prestígio do CEJ imponham o papel, o registo postal e a deslocação pessoal como opções de fundo em processos de recrutamento.
Nestas alturas, só me lembro mesmo é de Carlos Drummond de Andrade e do seu Escravo de Papelópolis:
Oh burocratas, que ódio vos tenho
e se fosse apenas ódio
é ainda o sentimento da vida
que perdi sendo um dos vossos.

Volta, Complicadex, que estás perdoado.
Tenho três possíveis explicações:
– resistência à mudança
– a prevalência do papel favorece o tráfico da informação
– há que dar trabalho aos contínuos e estafetas
Muito bem.