Para mim será sempre o modelo da exigência, do rigor, da responsabilidade, da capacidade introspectiva, da coragem. Foi o único capaz de se superar, capaz de superar os limites do imaginável e voltar depois ao convívio de todos nós com a mesma humildade e a mesma simplicidade. Faria hoje 50 anos. Conheci-o ainda ele andava nos karts e eu sonhava ser também um campeão. Os anos passaram e habituei-me a vê-lo pelas pistas do mundo, na fórmula Ford, depois na fórmula 3, em Inglaterra e em Macau, a seguir na fórmula 1, até atingir o firmamento. O Luís Vasconcelos e o Autosport, de onde saiu a imagem que ilustra este post, prestam-lhe uma bonita homenagem. Eu não poderia ficar indiferente. Nunca se esquece um campeão.
Nunca se esquece um campeão
Sérgio de Almeida Correia,


Muito bem assinalado, Sérgio. Partiu muito, muito cedo, o homem e campeão que ele foi, mas a memória deve ficar.
Sem dúvida alguma um grande piloto, que infelizmente partiu cedo de mais.
Acompanhei a carreira dele desde que veio a Portugal, num Toleman , pintado como uma zebra, só que de vermelho e branco! Deu nas vistas, chovia! Tive e o prazer de ver a alegria dele no ano seguinte ao fazer a sua 1ª pole e ganhar o seu 1º Grande Prémio! Grande lição de como se conduz debaixo de um dilúvio ! Conduzir assim só para eleitos. Lembro-me de uma alegria, louca! O autódromo delirou! Deixou-nos novo! 34 anos! Dia do trabalhador! Irónico! Estejas onde estiveres, descansa em Paz! CAMPEÃO!
A morte de Airton Senna, tendo em conta a sucessão de coisas que correram mal num acidente que poderia não ter passado apenas de um carro destruido, foi uma daquelas partidas que o destino nos prega, e que nos deixa a perguntar porque é que as coisas se passaram assim.
Se A Senna não tivesse morrido daquela maneira tão estupida, atreverme-ia a dizer que teria sido o maior piloto de formula 1 de todos os tempos.
Sem querer diminuir Michael Schumacker, na minha modesta opinião, ele não teria a carreira que teve se tivesse Senna a disputar-lhe as poles, e as corridas.
Apesar das suas inegaveis qualidades, Schumacker beneficiou de ter o melhor Ferrari de todos os tempos. Senna tinha o virtuosismo, a frieza, e a tecnica dos predestinados, como Fangio, Jim Clarck, Stwart, ou Lauda. Ficamos todos a perder com o seu desaparecimento prematuro.
Estou inteiramente de acordo. «Schumacker beneficiou de ter o melhor Ferrari de todos os tempos» e é (ou foi) um piloto de primeiro plano indiscutível. Mas tem de fazer-se justiça: Senna tinha muitas das qualidades extraordinárias que um carro não determina necessariamente. Era uma espécie de herdeiro de Fangio, Clark, Stewart e Lauda, como V. muito bem diz, para os quais o conhecimento adquirido, a rapidez de raciocínio e a apetência inata eram mais determinantes do que os carros.
Antes da sua morte, ver as corridas de F1 , ao domingo, a seguir ao almoço, na companhia do meu pai, era um ritual que não gostava de perder. Depois, nunca mais foi a mesma coisa.
Certíssimo. Era um ritual familiar que não se repetiu.
Gosto de automóveis e de F1 desde miúdo e, assim, acompanhei esta modalidade desde meados de ’60 até à actualidade. Conheci, portanto, a F1 pré, durante e pós-Senna e das 3, penso que a que o teve como protagonista, foi a mais fantástica e empolgante. Considero que o Ayrton Senna foi, sem sombra de dúvida, o maior e o mais talentoso piloto de F1 de todos os tempos, além de que era, sob o ponto de vista humano, um ser simplesmente fantástico. Têm aparecido outros grandes pilotos, sem dúvida, mas nenhum, nenhum outro até hoje, com a sensibilidade e com a alma deste rapaz.
Nunca se esquece um campeão, é certo, e então se ele se chamar Ayrton Senna, nunca mais vai morrer no coração nem na memória de quem o privilégio de o ver correr.
Nastase dizia de Borg:
“Nós jogamos ténis; ele faz outra coisa qualquer que a gente ainda não percebeu.”
Digo o mesmo de Senna – os outros conduzem carros; este fazia outra coisa qualquer que a gente ainda não percebeu.