Trincheiras


eventhorizon,

Tenho acompanhado a “campanha interna” do PSD, passe a expressão, com moderado interesse, mas também com algum tédio. Interesse porque se trata do maior partido da oposição, e do partido no qual, até à data, sempre votei (excepto lá na aldeia, porque o PSD – a direita, aliás – nunca tem candidatos). Tédio porque a procura de um novo líder para o partido tem sido estranhamente parecida com um jogo de futebol entre duas equipas que não se suportam. Como o Benfica e o Porto, por exemplo (belo resultado, ontem). Isto porque a luta interna entre Pedro Passos Coelho e Paulo Rangel – Aguiar-Branco e Castanheira (de?) Barros não contam, ao que parece – tem sido parecida a um encontro de claques rivais. Por aquilo que tenho lido, sobretudo na blogosfera, fico com a sensação de que os apoiantes de cada candidato parecem mais empenhados em fazer campanha contra “o inimigo” do que por o seu “líder”. O que me parece francamente errado – o inimigo não é (não devia ser) interno, mas externo. No caso, o PS, que continua no governo, para mal dos nossos pecados.

O que me deixa curioso é o day after: Paulo Coelho ou Rangel, um deles será Presidente do PSD. Se ganhar Rangel, Passos Coelho e o seu grupo vão dar o seu apoio ao vencedor? E se Passos Coelho vencer, Rangel e o seu grupo vão estar ao lado do novo líder?

Tenho sérias dúvidas de que seja assim. Voltando à metáfora do futebol: parece-me que os apoiantes do derrotado (seja ele qual for) terão mais vontade em torcer por uma equipa estrangeira do que pelo novo líder da sua equipa. Isto a avaliar pelo tom daquilo que  tenho lido sobre a disputa, e pela lógica de trincheiras que me parece existir neste momento. O PSD, infelizmente, continuará partido por mais algum tempo.

4 comentários em “Trincheiras”

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