Faz agora sete anos, ainda com Fidel Castro na plenitude das suas funções políticas, a máquina repressora cubana pôs-se em movimento acelerado: em três dias, entre 18 e 20 de Março de 2003, foram detidos 75 opositores ao regime implantado em 1959 na ilha – presentemente a única ditadura em todo o continente americano. Opositores como Raúl Rivero, Vladimiro Roca, Elizardo Sánchez e Martha Beatriz Roque.
Em Cuba, onde vigora o modelo de "socialismo real" da antiga Europa de Leste, importado por Castro, as liberdades essenciais estão proibidas. Começando pela própria liberdade de abandonar o país, considerada "delito de estado". Há sete anos, três jovens cubanos pagaram com a vida o "crime" de pretenderem abadonar a ilha-prisão a bordo de uma lancha, seguindo o exemplo de cerca de dois milhões de compatriotas que se fixaram nos EUA desde a ascensão ao poder da família Castro. Chamavam-se Lorenzo Copello, Bárbaro Sevilla e José Luis Isaac. Eram negros, de famílias pobres, da classe trabalhadora: três estigmas que perduram no país.
Com Fulgencio Batista no poder, os irmãos Fidel e Raúl Castro foram condenados a penas de prisão em 1953 por tentativa de golpe de estado mas indultados 22 meses depois, rumando ao exílio mexicano de onde recomeçaram a conspirar contra o regime. Fidel, que conserva a liderança do Partido Comunista de Cuba ("vanguarda organizada da nação cubana", segundo o artigo 1º da Constituição), e o general Raúl Castro, que hoje acumula a liderança política com o comando supremo das forças armadas, são muito menos magnânimos do que o ditador que os antecedeu, como ficou bem à vista nessa "Primavera negra" de 2003, um dos momentos mais sinistros do regime que vigora há meio século em Havana.
Escritores, jornalistas, sindicalistas, professores, bibliotecários e activistas de direitos humanos foram encarcerados pelo simples facto de defenderem uma transição democrática no país, chegando vários deles a receber penas de 28 anos de prisão. Passados sete anos, 53 permanecem nos cárceres. Um desses 75 era Orlando Zapata Tamayo, que acaba de morrer na sequência de uma longa greve de fome.
"Uma vida não vale nada, mas nada vale uma vida", como escreveu Malraux. Na Cuba dos Castro, uma vida não vale nada – sobretudo para quem é negro e pobre, como Orlando Zapata era e como é também Guillermo Fariñas, outro opositor em greve de fome. Mas Zapata não morreu em vão: falta pouco para o pesadelo em Havana chegar ao fim.


Esperemos que falte pouco.
As leis da biologia são implacáveis, Lili: quando acabar a actual geração dirigente, já octogenária, o regime implode. Até porque se encarregou ele próprio de decapitar a geração seguinte, de que faziam parte o ex-vice-presidente Carlos Lage e o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Felipe Pérez Roque, que chegaram a ser apontados como delfins de Fidel e foram entretanto exonerados e destituídos de todos os cargos politicos. Nem os verdugos nem os seus delfins: a próxima geração dirigente de Cuba fará o corte radical com a ditadura.
Pedro,
também estou convencido que o estertor já começou.
Quando um pequeno grupo de mulheres de branco desafia um regime significa que existem muitos mais que desejam desfiá-lo só que ainda não têm coragem; mas a coragem aparecerá, pouco a pouco, tal como na Argentina. Recorda-se?
As Mulheres de Branco já admitiram que se inspiraram no modelo das mães argentina da Praça de Maio. Um excelente exemplo, que frutificou. Trinta mulheres são capazes de fazer tremer um regime que já está podre por dentro.
Sabe certamente, melhor que eu, que representantes das maes argentinas já vieram repudiar essa colagem e acusar as damas de branco de serem financiadas pelos EUA…
Quanto a Farinas, merece-me pouco respeito um homem que uma das suas greves de fome foi no sentido de exigir internet de forma livre para os cubanos quando o proprio tem consciencia de que as dificuldades do acesso à internet em Cuba passam pelo bloqueio que nao permite a ligaçao de uns miseros 15 km de cabo à costa americana, tendo obrigado o governo cubano a negociar com a Venezuela o desenvolvimento de um cabo de 500 km para “ligar” a ilha (http://airadosmansos.blogspot.com/2010/0 1/cuba-e-internet-menos-cinismo-por-favo r.html)
Quanto à constituiçao cubana, convem nao omitir que ela foi aprovada por referendo popular e ratificada, tb por referendo, em duas ocasioes distintas, ao contrário do que acontece no nosso país, por exemplo.
Quanto a Zapata, nao me canso de repetir sempre que tenho oportunidade, nao parece estranho que Aminetu Haidar mal tenha sobrevivido a 54 dias de greve de fome e que Zapata tenha sobrevivido a 84 sendo torturado de forma sistematica e, segundo as acusaçoes feitas, de ter sido privado de agua durante 18 dias? Será que nao teve algum apoio médico e que os 18 dias que passou sem água nao sao um bocadinho de inverdade?
A si não lhe merece respeito um homem que luta com os meios que pode (nenhuns, a não ser o seu corpo, condenando-o à fome e à sede) contra uma ditadura que dura há mais de meio século. Pelo contrário, merece-lhe respeito essa mesma ditadura e os seus forjados “referendos populares”.
Pela sua lógica, deveríamos respeitar a ditadura salazarista que fez aprovar por “referendo popular” a Constituição de 1933 e que, tal como a ditadura cubana, negava a existência de presos políticos, embora tivesse as cadeias cheias deles. Pela sua lógica, devíamos elogiar os esbirros e difamar os prisioneiros de consciência, mesmo depois de mortos, o que constitui a maior das infâmias.
Essa é a lógica do “Granma” e do “Diário da Manhã”. Lamento que seja a sua também. Jamais será a minha.
A comparaçao entre o regime salazarista e o regime cubano é sua, nao é minha. Nao a subscrevo nem de perto nem de longe. Por acaso, Salazar empenhou-se na alfabetizaçao da populaçao, na criaçao de um sistema de saude gratuito e universal ou na tentativa da eliminaçao das elites financeiras?
e realmente, merece-me respeito um regime que exportou auxilio humanitário médico e educativo aos 4 cantos do mundo e que foi inspirador das democracias mais progressistas da américa latina. A nossa vizinha Espanha tem uma ou duas regioes que estao a utilizar programas educativos orientados por cubanos, nao sei se sabia…
e, nao. nao difamo ninguem no meu comentário. Coloco duvidas sobre a veracidade dos factos, isso nao me parece “difamar os prisioneiros de consciência, mesmo depois de mortos” ou nao é isso mesmo o principio da liberdade, questionar as direcçoes unicas venham do governo cubano ou da EFE?
Posso nao gostar de muitas coisas que se passam em Cuba, mas nao alinho em condenaçoes cegas…
Segundo o Rafael, há então ditaduras boas e más? Se bem deduzi, há boas e más cadeias, boa e má tortura, boa e má censura, boa e má mordaça, bom e mau espezinhamento das liberdades fundamentais…
Pedro,
esperava mais honestidade intelectual da sua parte. O seu comentário é cassete tipificada, sem atender às questoes que coloquei, mas é uma opçao sua…
volto a perguntar
nao parece estranho que Aminetu Haidar mal tenha sobrevivido a 54 dias de greve de fome e que Zapata tenha sobrevivido a 84 sendo torturado de forma sistematica e, segundo as acusaçoes feitas, de ter sido privado de agua durante 18 dias? Será que nao teve algum apoio médico e que os 18 dias que passou sem água nao sao um bocadinho de inverdade?
Aminatu, felizmente, sobreviveu. Orlando, infelizmente, não sobreviveu. São factos.
Cuba deve ser – juntamente com a Coreia do Norte – o único país que condena à morte cidadãos pelo “crime” de quererem emigrar. Algo totalmente inaceitável e que devia merecer repúdio unânime de quem vive em sociedades democráticas.
desculpe lá, Pedro. Nao pensei que discutisse com clichés genéricos como base para uma argumentaçao.
E esta sua afirmaçao é no minimo ridicula: “Cuba deve ser – juntamente com a Coreia do Norte – o único país que condena à morte cidadãos pelo “crime” de quererem emigrar.” Se me puder dar algum exemplo com o respectivo enquadramento legislativo, agradeço…
Típica atitude de negação, a sua. A mesma daqueles que há vinte e tal anos negavam que existissem presos políticos na URSS ou que a Polónia de Gierek, a Bulgária de Jivkov e a Roménia de Ceaucescu fossem ditaduras.
Tal como o Rafael, aqueles que estão sempre prontos a reunir dúvidas existencialistas que atenuem (!) as ditaduras mais ferozes é que vão mantendo vivos esses regimes nas bocas do mundo – de um certo mundo em que uma inexplicável nostalgia ainda consegue vislumbrar (de longe) uns heróis de cartilha.
Claro que o regime cubano está vivo, mas podre. Outros que subsistem se seguirão ao ritmo das mortes adiadas, porque não deixam continuadores. Mas é difícil aceitar que ainda haja quem procure eternizá-los, assumindo uma posição que mais parece respiração boca-a-boca virtual.
Então mas os Estados Unidos não são o “grande Satã” capitalista, o inimigo a abater? O bloqueio só é ridículo porque nem devia ser necessário: por coerência, Cuba devia negar toda e qualquer coisa vinda dos capitalistas, esses marotos. Mas não: os defensores do regime cubano passam a vida a culpar os EUA e o bloqueio por todos os males.
(Já agora, e relembrando uma antiga piada, sabe porque é que Cuba nunca leva equipas de remo às Olimpíadas? Porque quem sabe remar… vive em Miami.)
Pedro: sugiro, para uma futura série de posts aqui no Delito, uma compilação de todos os tiranetes e regimes repressivos (passe o eufemismo) que na História recente foram legitimados por via democrática. Talvez fosse interessante.
Sem dúvida, João. Ainda mais interessante: os intelectuais que legitimaram essas ditaduras – algumas das mais ferozes ditaduras de todos os tempos.
Pedro! Credo! Não tem dúvidas do que o João disse? É que ele disse (está escrito) que as democracias servem para legitimar tiranetes… (O nosso tiranete era legitimado por outras coisas, animadas pela UN e vigiadas pela PIDE …)
Eu até tinha uma resposta engraçada para si, Rogério, mas isto já se faz tarde, e o meu Sábado vai ser madrugador. Enfim, fica para a próxima.
O João não disse que as democracias servem para legitimar tiranetes. Falou de casos em que democracias legitimaram tiranetes,com o apoio de alguns intelectuais empenhados. Não é o mesmo que o Rogério afirma.
Faço minhas, naturalmente, as palavras do Fernando Antolin.
Pedro, fiquei até um pouco tonta com a discussão que seu texto suscitou. Não entendo a importância dada aos quantos dias o sujeito resistiu ou não na prisão, com ou sem ajuda. Me parece um tanto irrelevante quando o que o levou à isso é muito mais grave, a falta do direito de ir e vir, livremente. E o que importa é que ele, como centenas (para ser bem otimista) de cubanos morreram sem conseguir deixar o país. Conheci uma cubana e alguns chineses que “imigraram” para o Brasil e essa coisa toda de estado ideal não é bem assim. Não voltam para a Terra Natal nem mortos.
Pois, Carla. Os cubanos têm votado com os pés: não podem votar de outra maneira. Até os desportistas cubanos fogem sempre que podem quando participam em provas internacionais.
Mas há quem defenda a ilha-prisão. À distância, claro. Mesmo esses não gostariam de lá viver, tenho a certeza.
O comunismo em Cuba acabará quando o povo quiser.
E se esquecer que por causa de Fidel e com o apoio de Fidel ainda não venderam a ilha aos Americanos. Apesar do embargo dos carcereiros.
O maior embargo é o da ditadura cubana sobre o seu próprio povo.
O Pedro foi mexer nos “paraísos terrestres” (Cuba, Coreia do Norte) e levantaram-se as vozes e os argumentos costumeiros.
Essas dinastias estão a terminar.
Mesmo aquele demente de metro e meio não terá hipótese de perpetuar o poder da famíla Kim.
Os netos, filhos do que seria o sucessor mas acabou por cair em desgraça (Kim Jong Nam) são colegas das minhas filhas na Escola das Nações aqui em Macau.
Os putos tratam-nos por príncipes e sei que a família Kim Jong Nam está com uma vontade tremenda de voltar ao paraíso norte-coreano…..
No entanto, e como se vê bem aqui pelo teor de alguns comentários, há quem insista em não tirar as palas que tem à frente dos olhos.
Só mesmo a família Kim para fazer parecer a família Castro quase democrática. Ainda agora o ditador mandou limpar o sarampo ao Teixeira dos Santos lá do sítio por causa de uma reforma monetária falhada. Mero pretexto: se todos os responsáveis por falhanços fossem executados, sobrava pouca gente na Coreia do Norte. E o primeiro a ser pendurado no candeeiro seria o próprio Kim.
Apenas um apontamento curioso: fui apresentado ao Fulgêncio Baptista e à mulher (e respectivos guarda costas), em Lisboa, nos seus tempos de exílio. Como andava pelos 15 / 16 anos, o homem não fez grande caso de mim, nem eu dele… lol
O problema das ditaduras é a consolidação
do poder por parte de quem o assume!
Os anos passam e essas vozes que se julgam ser entoadas até ao céu, por eles mesmos, dão-lhes a convicção suprema de que estão orgulhosamente certos.
E com os anos a acabrunharem as suas convicções, levam-nos a actos de repressões sistemáticas para calarem vozes que eles próprios sabem que estão certas. Porque existe um tempo para tudo.
Só falta o tempo de os arrumarem para as gavetas das memorias bárbaras, onde será lacrado o que um ser humano ciente que é omnipotente, executou.
Esse tempo tem os dias contados!
Nunca o contraste entre as promessas e a realidade foi tão forte e tão chocante como em Cuba. Um exemplo vivo do ‘Triunfo dos Porcos’, de Orwell.
O maior embargo é o da ditadura cubana sobre o seu próprio povo. Autor Pedro Correia
Pedro está enganado onde escreveu ditadura cubana deveria ter escrito, governo Português.
Essa não percebi. Demasiado subtil para mim.
Foi para o Pedro chegar a essa conclusão que lhe respondi desta maneira, pois a sua resposta não era subtil era oca.
Ainda bem que podemos criticar o Governo português à vontade. Se fôssemos cubanos não podíamos criticar o Governo. Arriscávamos uma pena de 28 anos de prisão só por isso. E lá “as ruas são do Fidel”, como gritam os bravos 300 energúmenos às 30 Mulheres de Branco que se limitam a desfilar na rua gritando “liberdade”. Felizmente aqui as ruas não são do Cavaco. Nem do Sócrates.
Sr. Pedro o Sr. sabe do que fala? 2.html
Neste país de liberdades, nas comemorações de um 1º de Maio na cidade do Porto tivemos 2 mortos.
Na guerra do caulino em Barqueiros 1 Morto .
No Alentejo 2 mortos.
Em manifestações em liberdade,
Em Cuba não tratam pessoas como animais, como aqui ou aqui http://jojoratazana.blogs.sapo.pt/12539
Cuba é um paraíso. A propósito: já tem bilhete marcado para lá?
Cuba é um paraíso. A propósito: já tem bilhete marcado para lá?
Olhe Pedro, Cuba não é um paraíso, mas se pensa que Portugal é um paraíso está muito enganado, e quero dizer-lhe o seguinte sou Português e como tal a minha luta é por ter um país mais justo menos corrupto, mais solidário e com menos cegos, criticando os outros e compactuando com tudo o que de mal existe no nosso país.
Entendo a sua pergunta se já tenho bilhete para Cuba, que o melhor era eu mudar-me para lá uma vez que não me sinto bem cá, mais uma vez está muito enganado só a morte me impedirá por lutar por um Portugal melhor, que evidentemente não deve ser o seu.
Ditadura cubana vive porque deixou a Maçonaria livre em Cuba!