E explico: Há muitos anos, no Porto, participei de uma reunião interna da empresa onde trabalhava, que começou às sete da tarde e durou até às duas da manhã, sem jantar pelo meio (era assim no Grupo Sonae, pelo menos nessa época…). Os ânimos já estavam a ficar exaltados e o cansaço era muito, pelo que alguns de nós sugeriram que continuássemos no dia seguinte. O director não esteve pelos ajustes e acusou-nos, num tom de voz ameaçador, de estarmos a tentar “curtocircuitar” a reunião. Foi então que eu – muito nova e inconsciente ainda… – me lembrei de gracejar, já farta daquilo tudo ou talvez para aliviar o ambiente. Respondi-lhe que só o facto de ele ter sido capaz de dizer aquela palavra sem se atrapalhar, àquela hora, em jejum e depois de horas de discussão acesa, bastava para me provar a superioridade dele em relação a mim. Porque eu, para articular dali para a frente uma palavra com menos de metade das letras, precisava pelo menos de uma sopa. Tive sorte: ele tinha mais sentido de humor do que eu pensava e riu-se, aceitando a brincadeira. O ambiente descongestionou, fomos comer francesinhas e continuámos no dia seguinte a reunião, que não acabou nada mal para o nosso lado. Nunca mais me esqueci daquela palavra de “português técnico” que detestei, mas que afinal nos salvou a pele. 🙂
Olá, Catarina. Gosto de te ver por aqui. Rubrica, de facto, não é uma das cem palavras. Mas prepara-te: virão muitos palavrões horrorosos por aqui. Alguns mereceriam bolinha vermelha.
Posso contribuir?
Implementar
Atempadamente
Alavancar
Agilizar
Recepcionar
Visionar
(… e mais um bom pacote delas…)
Obrigado pelo contributo, João. Agradeço a todos os leitores que queiram dar-me sugestões. As do João Lisboa parecem-me óptimas – isto é, péssimas.
Sugiro “Curtocircuitar “.
E explico:
Há muitos anos, no Porto, participei de uma reunião interna da empresa onde trabalhava, que começou às sete da tarde e durou até às duas da manhã, sem jantar pelo meio (era assim no Grupo Sonae, pelo menos nessa época…). Os ânimos já estavam a ficar exaltados e o cansaço era muito, pelo que alguns de nós sugeriram que continuássemos no dia seguinte. O director não esteve pelos ajustes e acusou-nos, num tom de voz ameaçador, de estarmos a tentar “curtocircuitar” a reunião. Foi então que eu – muito nova e inconsciente ainda… – me lembrei de gracejar, já farta daquilo tudo ou talvez para aliviar o ambiente. Respondi-lhe que só o facto de ele ter sido capaz de dizer aquela palavra sem se atrapalhar, àquela hora, em jejum e depois de horas de discussão acesa, bastava para me provar a superioridade dele em relação a mim. Porque eu, para articular dali para a frente uma palavra com menos de metade das letras, precisava pelo menos de uma sopa. Tive sorte: ele tinha mais sentido de humor do que eu pensava e riu-se, aceitando a brincadeira. O ambiente descongestionou, fomos comer francesinhas e continuámos no dia seguinte a reunião, que não acabou nada mal para o nosso lado. Nunca mais me esqueci daquela palavra de “português técnico” que detestei, mas que afinal nos salvou a pele.
🙂
Se há qualidade que aprecio em ti, entre várias outras, é o teu perfeito domínio do «português técnico».
🙂
(resposta em bloguês técnico)
Não era o Corte Real, não? Nem o Portela?
Não, nenhum deles.
Percepcionar…
Essa é obrigatória. Já está em cima da mesa. Não perderei a janela de oportunidade. Basicamente.
Ahahah…
Percepcionar sinais de fumo, por exemplo…
:)))))))
Onde é que o senhor foi desencantar essa palavra?
Numa declaração pública do excelentíssimo bastonário da Ordem dos Advogados. Não me pergunte qual, pois já lhes perdi a conta.
Esta nova rubrica do Pedro dá-me jeito. Só espero que “rubrica” não seja uma das cem palavras.
Olá, Catarina. Gosto de te ver por aqui. Rubrica, de facto, não é uma das cem palavras. Mas prepara-te: virão muitos palavrões horrorosos por aqui. Alguns mereceriam bolinha vermelha.
(parabéns pelo teu blogue)
Estou curiosa para ver as outras.
Vais gostar. Ou melhor: vais (des)gostar.
Implementar que já foi referida, eu não gosto, detesto
Narrativa (de repente desatou tudo a falar da narrativa…)
Agora estao todos «focados» em vez de concentrados…
E direccionados e centrados.
Direccionar é uma palavra de que não gosto nada, quase todos os novos anglicismos são horrorosos.
Por falar em anglicismos: agora está na moda dizer ‘demonstrações’ em vez de manifestações. Lindo, não é?
Muitas vezes confundem os ‘pedestres’ que passam com os ‘protestantes’ das ‘demonstrações’.