A limitação das deduções fiscais é um "ataque atroz" à classe média. Assim disparou José Sócrates, num célebre frente-a-frente de campanha em Setembro contra Francisco Louçã, que lhe mereceu elogios quase unânimes dos comentadores políticos. "Mérito televisivo de Sócrates"; "Sócrates conseguiu pôr Louçã à defesa"; "Ataque [de Louçã] à classe média". Estes foram alguns dos inflamados títulos de então.
Apetece perguntar: o que diria o Sócrates de Setembro do Sócrates de Março, que anuncia aos portugueses limitações das deduções fiscais na saúde e educação?
E o que dirão hoje alguns dos seus mais ferrenhos adeptos que então se insurgiram contra o líder do Bloco de Esquerda por defender algo muito semelhante? Basta vir aqui para lembrar os mimos com que Louçã foi mimoseado: "impensável", "demagogia confrangedora", "momentus horribilis", "proposta suicida"…
Alega agora o primeiro-ministro, esquecendo esse seu fugaz momento de glória televisiva de Setembro, que a limitação das deduções fiscais na saúde e na educação já constava do programa eleitoral do PS.
Vale a pena recordar o que refere o citado programa eleitoral nesta matéria: "Reformar o IRS, mantendo a estabilidade da receita fiscal, tendo nomeadamente como objectivo redistribuir as deduções e benefícios fiscais, num modelo progressivo em favor das classes médias."
Sublinhe-se: em favor das classes médias. Precisamente ao contrário do que se anuncia agora.


Decididamente, a criatividade não é uma característica dos governos de Sócrates. A classe média vai definhando, definhando até ser uma faixa estreita e esmagada. Da qual em breve já nada sairá que possa contribuir para continuar a alimentar os desvarios de quem governa sem imaginação e sem trabalho.
As aldrabices de feira continuam.
Até quando vamos suportar o aldrabão-mór?
Pois, mas o problema é definir exatamente o que são as “classes médias”…
Tal como se viu recentemente numa discussão blogosférica entre Fernanda Câncio e Luís Aguiar-Conraria, o conceito de “classe média” é muito fluido… e toda a gente gosta de pretender pertencer à classe média.
“toda a gente gosta de pretender pertencer”
São insondáveis os mistérios de um pensamento com tal profundidade.
Todos governos da republica devem ser responsabilizados; a divida pública foi contrato por políticos incompetentes nos últimos 25 anos! Incitar os português a contratar vários créditos “carros novos (normas europeias), habitações, consumos diversas) foi o crime! – Resultado já não há poupança das famílias, as empresas não aguenta mais, o estado o pior exemplo… Quem pago os erros do nossos eleitos? a classe media! – 1º ministro é o pior mentiroso “não há + imposto!”, não posso admitir que os nossos governantes pensem que o povo é estúpido, não percebe…
Não podemos jogar os ricos quando somos pobres!
A solução do PEC está em TROCOS: acrónimo para “Taxa Repressora de Operações com Off Shores”.
Impõe-se a criação de um novo imposto que cobraria 5% do valor de todos os negócios em que pelo menos um dos contratantes fosse uma off-shore. É uma medida justa, para o Estado arrecadar alguma coisa, já que os off-shores só existem para ocultar matéria colectável ao fisco. Exemplos:
– o apartamento que, segundo os jornais, Sócrates comprou por 250.000 euros a uma off-shore renderia ao PEC cerca de 12.500 euros
– os 350.000 euros pagos pela TAGUSPARK a uma off-shore do Figo sempre deixariam por cá 17.500 euros, em vez de se esfumarem no espaço como o gato da Alice (também ela no país das maravilhas).
É por estas e por outras, que cada vez mais me sinto tentado a dar razão àquele empresário que há dias dizia numa entrevista a um jornal: “sempre que ouço um político falar, parto do princípio que está a mentir”.
Infelizmente, temos de reconhecer que tem toda a razão e Sócrates tem feito aumentar de uma forma exponencial a desconfiança que cada vez mais temos que ter acerca do que dizem os políticos.
Pedro:
Excelente “post”.
Ocorre-me perguntar de que estamos à espera para alterarmos tudo isto ou seremos sempre submissos a certos senhores e iluminados da treta como os actuais governantes?
Este presidente do conselho de ministros mente desde 2005 (ou até antes) e nunca é responsabilizado por nada?
Triste país que tem de aturar “gentinha” desta mas que continua adormecido sem dar um grito de revolta.
Com tanta “frouxidão” fica tudo f*****! Ou, escrito de outra forma:
Da frouxidão imaginativa
de um programa mal amanhado
brada a ruína efectiva
do nosso regime definhado.
A aventura nacional
nestes anos entorpecidos
é um desvairo descomunal
que nos deixa esvanecidos.
As palmas de satisfação,
desta gente tão rosada,
é pura manifestação
de natura enfezada.
Dá vontade de gritar
de forma bem audível,
vincando o protestar
de asserção credível.