José Sócrates não sabe de nada. Desconhecia que a PT – onde o Governo possui uma golden share – queria comprar a TVI, em Junho de 2009, três meses após ele mesmo ter eleito esta estação televisiva como alvo principal de críticas na abertura do congresso socialista. Desconhecia que o seu amigo Armando Vara esteve pessoalmente envolvido nessa operação de venda, abortada pelas notícias saídas na imprensa "hostil". Ignorava que Luís Figo assinou um contrato milionário com a Tagus Park – em cuja administração estava o seu amigo Rui Pedro Soares, simultaneamente um operacional da campanha eleitoral do PS – no próprio dia em que entendeu apelar ao voto no partido do Governo. Alega que Rui Pedro Soares, ex-responsável pelo site da sua candidatura à liderança do PS, não entrou pela sua mão para a administração da PT. Reconhece ter jantado várias vezes com Rui Pedro Soares mas jura que nunca falaram de nada disto.
Quando o vento sopra de feição, ele soube de tudo e foi responsável por tudo. À mínima brisa contrária, torna-se a pessoa mais ignorante do País, como ficou patente na entrevista de ontem à SIC – a primeira em que permaneceu à defesa durante o tempo todo. É um estilo de governação que o define. E que caracteriza um ciclo político que está prestes a esgotar-se.

Um primeiro-ministro que está (como esteve) à defesa do princípio ao fim daquela entrevista, só pode mesmo estar a marcar o fim do ciclo político que criou ou quis criar e que é o seu próprio ciclo.
Nunca tínhamos visto Sócrates tão na defensiva. O tempo todo. Até se esqueceu de bater na oposição…
Se calhar ele começa a pensar que gostava de ser da oposição.
Tem motivos para isso. Foi um bom líder da oposição.
Que “ciclo político” é que “está prestes a esgotar-se”, por quê e como?
É que, iniciou-se um novo ciclo político ainda há pouco tempo, em Setembro do ano passado, e não vejo como é que ele possa acabar tão cedo. Nesse ciclo político que se iniciou o PS, sob a liderança de José Sócrates, saiu vencedor.
Não vejo como é que esse ciclo político possa acabar agora, e aliás não vejo ninguém que esteja de facto com muita pressa de que ele acabe.
Eu aconselharia o Pedro Correia a ter calma. Nenhum ciclo político vai acabar tão cedo, a não ser que haja um golpe de Estado. No nosso sistema constitucional os ciclos políticos só mudam quando há eleições legislativas. E parece-me muito improvável que as vá haver tão cedo. É que, sabe, as sondagens indicam que, se voltasse a havê-las, os resultados seriam muito idênticos aos ainda recentemente obtidos…
Anotadas as suas palavras, Luís Lavoura. Para mais tarde recordar.
Talvez não muito tarde.
Muito provavelmente.
“as sondagens indicam”
Se as sondagens o dizem, já não está cá quem falou, é claro…
Em Itália, as sondagens indicam que o Berlusconi é imbatível.
O Miguel Sousa Tavares também esteve muito apagado.
Terá deixado de fumar?
lol, ao pé do pau de incenso provavelmente não precisou.
Então deve ser isso. Hehe…
zcelente resumo.linkei o texto na minha tasca
Obrigado, João. Abraço.