Mesmo sabendo que os Impérios estão fora de moda, o nome do restaurante não assustou. Até porque a laje maciça de uma icónica sala de cinema de Lisboa transformada num Shopping de bênçãos, garantia uma protecção efectiva.
O encontro estava marcado para às 20:00 e os que apareceram foram praticamente pontuais.
Logo depois da entrada, ao fundo da sala, os ingleses tentavam, sem sucesso, sacar três pontos aos norte-americanos. O ditado não é velho, mas podia ser: não há relações especiais, sem vendavais.
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Foto Pedro Correia
A acompanhar uns bolinhos de bacalhau, para uns, e uns pastéis de bacalhau, para outros, conforme a latitude de origem, vieram as primeiras imperiais. Uma, mal-empregada, perdeu-se por culpa do Isaac Newton. Coitado, é sempre ele que paga as favas. Felizmente a intendência foi previdente e imperial desaparecida em combate foi instantaneamente reposta sem haver tempo para a ansiedade da espera.
Entre os bifes, o polvo e o bacalhau, falou-se das abissais diferenças, mesmo grandes, entre Guimarães e Braga, dos comunas do Seixal, da coproiética do governo do PS, do gume arrombado da acutilância de Marcelo e de uma prenda, que seria como que a versão actualizada da embaixada de Dom Manuel enviada ao papa e que quase se extraviou. A problemática da antevisão do futuro a partir de uma folha de cálculo foi abordada quando o jogo da bola acabou.
Depois falou-se da produção de conteúdos do canal público, do mercado das transferências dos bloggers e respectivas cláusulas de rescisão, e também de uma segunda antologia do Delito. Mesmo antes da sobremesa o assunto mudou para as colunistas de esquerda, umas vistosas e ríspidas, e, outras ou as mesmas, vistosas e insípidas.
Por unanimidade foi aprovada uma moção de desconsolo perante a igualmente unânime ausência de senhoras à mesa. Algo sem explicação. Tudo bons rapazes, educados sem serem snobes, razoavelmente cultos e quase, quase, apessoados. Na próxima vez vou sugerir a constituição de uma Boys Band. Delito Boys. Nem soa mal!
O serviço cumpriu, mas por este andar só quem falar estrangeiro é que, em Lisboa, se safa como freguês .
Depois dos cafés chegou o carro-vassoura e as despedidas foram já na rua. Depois de uma cigarrada, e só não fumou quem não quis, combinaram-se as boleias e nesse preciso instante começou a contagem até ao próximo jantar do Delito de Opinião.
Foi um óptimo convívio. Um abraço a todos.

Parece-me de facto um bom jantar só para homens. E dado que já agendaram o próximo, é que correu bem. Que o bom Deus o permita com a mesma boa estrela.
Bom domingo
Logo à chegada o letreiro é nem visível, Bea, Jesus Cristo é o Senhor!
Bom domingo
os Impérios estão fora de moda? pelo contrário, acho que estamos a retornar (regredir?) fulgurantemente à era dos Impérios.
Estão definitivamente fora de moda. Tudo o que possa aparecer é obra de alucinados em negação.
como hoje se pagam as favas nos locais de venda
já nem se pode dizer ‘ir pentear macacos’ por não ser politicamente correcto.
deixei de frequentar o local por ser da igreja do reino de deus.
que se repita por muitos anos com boa qualidade de vida
O que de incorrecto possa ter o acto de pentear macacos, só depende do penteado. Sobre o resto, fico-lhe agradecido.
Estimo muito que tenha corrido bem, mas neste espírito de sã camaradagem que sempre se viveu entre os autores do Delito, outra coisa não seria de esperar. Fico a aguardar o próximo encontro. Beijinhos a todos.
Da próxima não passa, Dulce !!
Contamos consigo.
Espero que sim
Bolinhos de bacalhau, muito bem. E finos, mais que imperiais para os mesmos, creio, por esse critério de latitude.
Tarda, esse segundo tomo da antologia.
Sim, finos. Tem razão.
Foi um bom convívio, Paulo. Finalmente. Há muito que não nos reuníamos. E é sempre bom conhecer-nos pessoalmente. Infelizmente vão sendo raras as oportunidades para que isso suceda. A pandemia, há dois anos, contribuiu para que uma grande parte dos portugueses se tornasse ainda mais associal ou mesmo anti-social. Não admira que haja cada vez mais gente (acima de um milhão) a viver sozinha neste país que “deu novos mundos ao mundo”: o censo 2021 revelou isto.
Neste convívio do DELITO a frase da noite, para mim, foi a do nosso amigo José Meireles Graça, que cito com a devida vénia: «O problema de haver mulheres nos blogues é só este: elas nunca aparecem nos jantares.»
Está cheio de razão.
Essa frase fica na lista para um próximo mote do DO, Pedro
O restaurante Império não é assim a modos que um bocado vulgar, tipo cervejaria Trindade? É a ideia que tenho dele… Eu esperaria que os delituosos fossem um bocado mais seletivos.
Ao contrário de alguns comentadores, somos todos razoavelmente vulgares.
Mas o Paulo Sousa não mora na serra dos Candeeiros? Desceu à capital só para a restauração? 90 quilómetros só para comer no restaurante Império, parece-me um bocado de mais.
Descer à capital, é uma expressão que pode abrir todo um mundo de significados.
A ausência de senhoras à mesa terá tido não uma, mas várias explicações – tantas quantas as senhoras que não foram. E terá tido certamente algumas vantagens 😉 O importante é que correu bem e saíram todos ilesos. Pela parte que me toca, fico a aguardar ansiosamente mais notícias sobre a futura boys band e espero que não tenham agendado o próximo jantar para uma altura em que eu esteja (novamente) de férias – para ter oportunidade de vos pedir um autógrafo :)))))
Do próximo não passa Ana. A Delito Boys precisa de abrangência