Pensamento da semana


Pedro Correia,

O lugar-comum é inimigo do jornalismo: aprendi isto com alguns dos melhores jornalistas de sempre. E no entanto hoje verifico que o jornalismo está transformado numa interminável avenida de lugares-comuns.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

23 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Exatamente, tem toda a razão. O jornalismo está transformado numa repetição de ligares-comuns. Agora são as maldades do Catar, antes foi a perfídia da Rússia, ainda antes os funestos perigos da pandemia, etc.

  2. Chegámos a uma época em que o jornalista se acha mais importante que a notícia. E a notícia é transformada no “reality show” da informação.
    Vale tudo.
    O código deontológico é mandado às urtigas.
    O drama, o horror, a tragédia, tudo servido ao pormenor para deleite das assistências.

    1. Não existe só agora, de algum modo sempre existiu. Mas o panorama tem piorado, sobretudo desde que os jornalistas em vez de pensarem no público passaram a exibir-se para os “seguidores” no Twitter ou no Facebook.

  3. O sound-byte é mais forte e infelizmente tudo é tratado pela rama.
    O exemplo do Qatar é isso mesmo, já se sabia desde há muitos anos as condições de trabalho em que os estádios estavam a ser feitos mas só agora alguém se lembrou de falar no assunto mas enfim esqueçamos isso.

      1. Nm podia sr outra coisa. A letra q vem sempre acompanhada por u embora seja mudo na maioria dos casos. Vá que este safou-se do AO99.

      2. Basta ir à wikipedia e ouvir como se pronuncia. Pronuncia-se “catar” e, portanto, é assim que deve ser escrito.

          1. Correcto.
            Se se traduzir do árabe para o alfabeto latino aparece Qatar, que assim se escreve em várias línguas europeias, assim ou Katar.
            Interessante verificar que apenas em português e irlandês se traduz para Catar e em luxemburguês para Quatar.

  4. Nem mais. O chavão e a superficialidade são as pragas do jornalismo. Ontem, num jogo de futebol até o árbitro “se fez sentir”. Agora tudo se “faz sentir”. Fiquem atentos.

  5. O que MARCA A ACTUALIDADE é uma tendência que SE ALASTRA para fazer do jornalismo um comentário disfarçado. São EMBLEMÁTICAS as adendas do tipo «só não disse que» ou «só faltou dizer que», às quais se segue, como é EXPECTÁVEL, a crítica e o credo do «jornalista» escrevedor. O qual sempre DÁ PROVAS DE uma grande VONTADE EM mostrar que ele é que conhece a verdade e o protagonista não. E os NÍVEIS de omissão de factos inconvenientes para o governo, esses, são HISTÓRICOS. É necessária uma grande RESILIÊNCIA para aturar estes e outros artifícios que se tornaram ICÓNICOS. Já os mínimos de português bom e escorreito tornaram-se uma coisa MÍTICA.

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