Ainda não percebi a razão do vulgo julgar ser mais académico – qual sábio, denso – dizer “dean” em vez de “deão”. E outras coisas que tais.
Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana.
Ainda não percebi a razão do vulgo julgar ser mais académico – qual sábio, denso – dizer “dean” em vez de “deão”. E outras coisas que tais.
Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana.
Sim, agora fala tudo em “americano”. Revela o nosso atávico provincianismo, algo que se reflecte, entre outras coisas, no desprezo pela língua portuguesa, cada vez mais maltratada.
Dean, James Dean. I presume.
E por que razão toda a gente diz “como era expectável” quando poderia dizer “como era de esperar”.
É coisa de pároco de aldeia.
Deão, como pronunciar correctamente? déão, déãoe, deião, deão
Deão é uma localidade do Concelho de Viana do Castelo. Provavelmente o topónimo nasceu por lá ter vivido algum decano importante, que seria ‘a terra do deien’ e que se foi nasalando para deião e ficar deão.
O agora quererem aplicar deão/decano ao reitor vem dar a americanada dean, que pode ser reitor ou reitora se for Dean (maiúsculo).
Decano.
Decano
Do latim decānu-, «comandante de dez soldados; deão», pelo francês antigo deien, «idem»
Há dias calhou-me ver um episódio antigo duma série de sucesso brasileira.
O entrevistado pretendia demonstrar ao entrevistador a superioridade do suporte analógico—disco vinílico–sobre o digital.Havia um gira-discos,um lp no prato.Baixou a alavanca,o amortecimento do braço demorou o suficiente para o famoso e culto apresentador perguntar:
–O toca-disco está plugado às caixas?
Perdera já os vocábulos “ligado”,conectado, coluna de som ou altifalante (loudspeaker),até mesmo amplificador.
Não há “acordos” que valham,nem cá nem lá.
roda livre
Verdadeiramente o aparelho/máquina faz girar o disco, para tocar o que está gravado.
Então se por cá p.ex. chamamos triguinho, carcaça, papo-seco a um pequeno pão de farinha de trigo e somos dez milhões, o que não chamarão mais se duzentos milhões de pessoas a determinado objecto.
Não há acordos que resistam, e cada vez será pior por influência/aparecimento de novos seja do que for.
Se os profissionais das televisões, que tão livres são de serem hesitantes na fala e intrometidos no discurso dos entrevistados, fossem instruídos para traduzir ou requerer a tradução essas pirezas coloquiais, haveria melhoras.
Há tantas leis de intrusão no discurso, essa deveria ser uma delas.