Sócrates diz "só me faltava" (comentar a divulgação de escutas de conversas privadas) como se lhe estivessem a pedir um gesto de educação menos primorosa. Mas a evidência, a fotografia da evidência, da forma como Sócrates se serve do poder e do país não revela estes pudores. Vêmo-lo em sandálias havaianas e camisolas de alças pelos corredores dos ministérios e das empresas de capital público, a coçar os sovacos, a fazer apostas sobre o tempo que levará a derrubar este, o custo de comprar aquele, a necessidade de controlar o outro. Ouvimo-lo em concursos de arrotos, a empurrar os amigos e aos risinhos como num balneário de adolescentes depois de mais uma conquista, de preferência na comunicação social. Já vimos demais. Não lhe estamos a pedir, engenheiro, que coma com os cotovelos em cima da mesa; estamos à espera que explique o canibalismo do menu.
Os pudores do engenheiro Sócrates
Cristina Almeida,

Só me faltava agora comentar o teu ‘post’. Acho-o indecoroso. Andas a escrever pelo buraco da fechadura. É um texto lamentável e deplorável.
Vou ver se compro este blogue ou se fico com o controlo maioritário.
1 million dollar question
Uma grande pergunta formulada no “Porta da Loja”:
Quantas escutas serão precisas para se entender o “esquema” destes sacanas sem lei ?
Para se entender ou para haver consequências – legais, politicas ou outras ?
É que se ainda não entendeu…
É impsosível não haver consequências políticas. As explicações não pretendem fazer com que entendamos, apenas colocariam o Primeiro-Ministro num grau de civilidade democrática que, apesar de tudo, eu gosto de pensar que existe. Não é por ele, é por nós.
É impossível ? Tem a certeza disso ? Sinceramente muito gostaria de que assim – civilizada-mente – fosse.
Não é o Pais – e o Povo – que temos, mas sim aquele que fizemos.
Por isso, também gostava de acreditar que, aqui em Portugal, a civilidade democrática exista. Mas quando se refere a “nós” relembro de que fomos “nós” que nos deixamos levar – quer por acção mas muito mais por omissão – a esta situação.
A esmagadora maioria dos “nós”, claro. Salvaguardo algumas excepções de que não faço parte, reconheço.
Será isso que os italianos pensam do Berlusconi?
Bela peça de prosa fantástica, pode ser que assim ajude às pessoas a imaginar melhor a essência do Zezito. Embora não sei, como disse uma conterrânea (um pouco tonta) minha, “português é meio esquisito, né?”.
Nada tonta, essa conterrânea.
Os pudores de Sócrates não se aplicam à manipulação de tudo e de todos, a mentira e a arrogância. Enfim, é a noção de pudor de um “animal feroz”, suponho…
clap-clap