Os pudores do engenheiro Sócrates


Cristina Almeida,

Sócrates diz "só me faltava" (comentar a divulgação de escutas de conversas privadas) como se lhe estivessem a pedir um gesto de educação menos primorosa. Mas a evidência, a fotografia da evidência, da forma como Sócrates se serve do poder e do país não revela estes pudores. Vêmo-lo em sandálias havaianas e camisolas de alças pelos corredores dos ministérios e das empresas de capital público, a coçar os sovacos, a fazer apostas sobre o tempo que levará a derrubar este,  o custo de comprar aquele, a necessidade de controlar o outro. Ouvimo-lo em concursos de arrotos, a empurrar os amigos e aos risinhos como num balneário de adolescentes depois de mais uma conquista, de preferência na comunicação social. Já vimos demais. Não lhe estamos a pedir, engenheiro, que coma com os cotovelos em cima da mesa; estamos à espera que explique o canibalismo do menu.

10 comentários em “Os pudores do engenheiro Sócrates”

  1. Só me faltava agora comentar o teu ‘post’. Acho-o indecoroso. Andas a escrever pelo buraco da fechadura. É um texto lamentável e deplorável.
    Vou ver se compro este blogue ou se fico com o controlo maioritário.

  2. 1 million dollar question

    Uma grande pergunta formulada no “Porta da Loja”:

    Quantas escutas serão precisas para se entender o “esquema” destes sacanas sem lei ?

    1. Para se entender ou para haver consequências – legais, politicas ou outras ?

      É que se ainda não entendeu…

      1. É impsosível não haver consequências políticas. As explicações não pretendem fazer com que entendamos, apenas colocariam o Primeiro-Ministro num grau de civilidade democrática que, apesar de tudo, eu gosto de pensar que existe. Não é por ele, é por nós.

        1. É impossível ? Tem a certeza disso ? Sinceramente muito gostaria de que assim – civilizada-mente – fosse.

          Não é o Pais – e o Povo – que temos, mas sim aquele que fizemos.

          Por isso, também gostava de acreditar que, aqui em Portugal, a civilidade democrática exista. Mas quando se refere a “nós” relembro de que fomos “nós” que nos deixamos levar – quer por acção mas muito mais por omissão – a esta situação.

          A esmagadora maioria dos “nós”, claro. Salvaguardo algumas excepções de que não faço parte, reconheço.

  3. Bela peça de prosa fantástica, pode ser que assim ajude às pessoas a imaginar melhor a essência do Zezito. Embora não sei, como disse uma conterrânea (um pouco tonta) minha, “português é meio esquisito, né?”.

  4. Os pudores de Sócrates não se aplicam à manipulação de tudo e de todos, a mentira e a arrogância. Enfim, é a noção de pudor de um “animal feroz”, suponho…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *