A censura torna os jornalistas mais hábeis. Millôr Fernandes lembrou há pouco um exemplo ocorrido no Pasquim, uma das publicações mais visadas pelos censores da ditadura militar brasileira nos anos 70 – uma censura que não se limitava aos temas políticos: exercia o domínio repressivo também no capítulo da moral e dos costumes.
Em certa edição da revista, havia que escrever sobre o romance Iracema, de José de Alencar – um clássico da literatura romântica brasileira, que entre outras expressões popularizou à época a “virgem dos lábios de mel”. Convidava à malandrice. E assim foi: o Pasquim lá se debruçou seriamente sobre o romance, numa das suas enésimas edições, tendo no entanto o cuidado de acrescentar uma palavra. Uma palavrinha apenas – no caso, um adjectivo. Grande. A virgem de Alencar passou a ter “grandes lábios de mel”.
A censura, bronca como costumam ser as censuras, nem reparou. Uma singela palavra pode fazer toda a diferença.


Por alguma razão, lembrei-me da Manuela Moura Guedes, da Bárbara Guimarães, da Sofia Sá da Bandeira. Um adjectivo faz toda a diferença.
Esses casos são substantivos, compadre. Substantivo próprio.
Adorável lembrança …..
A censura nem sempre é bronca. Um exemplo. As tentativas de calar Marcelo Rebelo de Sousa partiram de pessoas nada broncas e que conhecem perfeitamente o valor daquilo que tentaram censurar.
Podem ser chico-espertos, mas também são broncos.
estupidamente broncos.
abr e bom fds
Eheheh. Bom fim de semana, Pedro.