
Bombaim (ou Mumbai) é uma cidade de horrores. A miséria da maioria da população contrasta, de forma aviltante, com o luxo de uma minoria.
Todas as noites, mais de 1 milhão de pessoas dorme em valas ao longo da estrada que liga a cidade ao aeroporto, enquanto turistas se divertem e dormem em hotéis luxuosos; hordas de pedintes vasculham em montes de imundície, enquanto homens de negócios se reúnem em jantares cujo custo permitiria matar a fome a uma família indiana durante um ano; políticos discutem nos bares, entre duas bebidas e aperitivos, os problemas da miséria no mundo, enquanto crianças ranhosas, fedendo a miséria, colam os olhos vítreos nas janelas dos autocarros pejados de turistas.
Mais do que pedirem uma esmola, pedem que alguém olhe para a sua miséria. Não querem compaixão, apelam apenas à consciência de quem pode reduzir o seu sofrimento.

“consciência de quem pode reduzir o seu sofrimento”.
Para isso não existe consciência, já que o sofrimento tende a aumentar mediante a falta de valores que a Sociedade regista.
Todos conhecem esta realidade onde o sofrimento é como um vírus instalado sem vacinas para o erradicar.
Um entre portas de tamanha desigualdade remete para bem dentro de nós, questionar: afinal onde pára Deus!
Excelente post, com o qual estou inteiramente de acordo.
A propósito, gostaria de enviar-lhe um mail com umas fotos que comprovam à saciedade o que diz. No entanto, procurei aqui e no Crónicas do Rochedo e não encontrei o seu endereço electrónico. Se quiser, pode contactar-me para o e-mail que deixo.
Cumprimentos.
Que não se te cansem os dedos, Carlos, para que ninguém finja ignorar a realidade.
Há tantos “Haitis” por esse mundo.
Parece que a minha deixa serviu para inspiração de alguém.
Seja.
http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/72 842.html
Quem faz boas sínteses corre o risco de que lhas aproveitem! :))))
Infelizmente a consciência é uma criatura de aparição rara. E tão incómoda que tendemos a baixar os olhos para não nos cruzarmos com ela.
Gostei muito de ler este seu “retrato”.
Por muitos anos que viva, nunca esquecerei essa estrada que liga a cidade ao aeroporto, com as pessoas metidas em sacos de plástico pretos – como lixo.
Vi muito disso em Luanda, mais do que alguma vez imaginei, mas como é o nosso novo El Dorado nada disso interessa aos media.
Faço meu o comentário do João Carvalho. (Espero que o autor não se importe…)