No meu caso, o Domingo não escorreu pingo a pingo, mas começou pelas nove da manhã ao ritmo do martelo no apartamento ao lado, que, ao que parece, está em obras (na manhã de Sábado foi um martelo eléctrico). A manhã, como podem imaginar, não foi por isso grande coisa; já a tarde, salvou-se com um prato de grãos com bacalhau e com um filme apanhado por acaso no cabo (Fallen, com Denzel Washington; um grande filme, e extremamente subvalorizado). Saio ao cair da noite para um pouco de ar puro e para um whisky. No café, vejo a equipa portuguesa de futebol de salão ser metodicamente arrasada por Espanha. Ainda não podem vir de comboio-de-alta-velocidade até às calientes praias do Mar da Palha, os coitados dos espanhóis, por isso entretém-se a fazer-nos correr atrás de uma bola num campo sintético. Podia dar-lhes para pior, entenda-se. Volto a casa e o zapping mostra-me que o desastre televisivo nacional começou, com a TVI à cabeça: começaram as novelas sobre vampiros adolescentes. Podíamos ter aprendido com os brasileiros, que produziram (que eu saiba) duas novelas sobre o tema: uma muito boa, seguindo o cânone que tornou os vampiros numa das mais interessantes criaturas da literatura fantástica; e outra não tão boa mas minimamente interessante. É, porém, óbvio que não aprendemos; o que a TVI fez foi um misto de The Adams Family, sem a comédia mas com mais caras-pálidas, com Twilight, a inefável saga de pseudo-fantasia-lamechas que tem levado raparigas pré-púberes de todo o mundo à histeria. Com interpretações à novela portuguesa – péssimas (é o perfeito wooden acting) -, que nem os românticos cenários de Sintra salvam. A TVI procura aliciar: "uma história diferente e arrojada", dizem eles. Mas não é diferente das outras – ou, como Twilight, se calhar é diferente onde não devia -, e precisamente por isso não poderá nunca ser arrojada. Enfim, mais do mesmo. Parece que a SIC vai apresentar outra, em tudo idêntica, daqui a dias. Valha-me o cabo; mas se ele me falhar, por favor lembrem-me de enfiar umas cabeças de alho dentro da televisão. Não que ele faça muito efeito nos vampiros modernos (nestas coisas das histórias de "fantasia" sou profundamente conservador, lamento), mas nunca se sabe. É isso ou arranjar novos livros, que estou cansado de releituras.
Alhos (sem bugalhos)
eventhorizon,

Séries medíocres com representações à altura das ditas.
Já nem os vampiros são o que eram: ignoram o alho, vêem-se ao espelho, estão-se nas tintas para o sol e usam cruzes ao peito. Mas isso até no cinema mudou e os filmes de vampiros tornaram-se intragáveis.
Ainda os veremos a fazer um brinde com água benta.
Dá saudades de um bom e velho Drácula, não dá?
Ah… se dá!
É o que se chama um dia perfeito. Por mim, estive vários dias sem televisão: o meu aparelho anterior pifou de vez, após 16 anos de cumprimento da função em dois continentes, e demorei mais de uma semana a substituí-lo. Não perdi nada com isso.
Deste-me entretanto uma ideia: um dia destes analiso um episódio de telenovela da TVI. Já não vejo há uns anos e ando com alguma saudade. Espero ao menos que tenha a Alexandra Lencastre para me sentir menos entediado. Deste-me outra ideia: num dos próximos jantares do blogue podemos trocar livros.
Eu passei anos sem ver televisão… mas agora tenho uma, e como deixei cair alguns hobbies…
Novelas já não vejo, perdi o interesse no género. Mas lembro-me de, em miúdo, ver algumas brasileiras, de gostar bastante de as ver. Talvez fosse uma boa ideia comparar uma portuguesa com uma brasileira.
Isso é mais bugalhos sem alhos, João… 🙂
Ainda não vi a vampirada sintrense, nem tenciono, mas a prova de que deve ser péssima é que a apresentação não não me fez mover um músculo, eu que sou bastante impressionável e detesto esses temas.